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terça-feira, janeiro 27, 2015

70 ANOS DEPOIS: SERÁ QUE APRENDEMOS A LIÇÃO?

O mundo civilizado celebra hoje os 70 anos da libertação do campo de concentração nazi de Auschwitz, na Polónia, pelas tropas russas. 
Muitos sobreviventes do Holocausto nazi concentraram-se desde ontem neste local para aquilo que consideram ser a última vez em que tantos ainda se conseguem reunir, uma vez que é uma geração que vai rapidamente desaparecendo em razão da avançada idade. Muitos dos cerca de 300 sobreviventes reunidos desde ontem contam com mais de 90 anos de idade.
Assim, neste que foi chamado "um dos maiores cemitérios do mundo", estão hoje reunidos sobreviventes, jornalistas, os chefes de estado da Polónia, Alemanha, França e Ucrânia e muitos outros dignitários, representando mais de 40 países, incluindo Portugal, e que não querem fazer esquecer o maior genocídio humano jamais ocorrido na História. Israel faz-se representar pelo seu ministro Silvan Shalom.

Mordechai Ronen, um dos sobreviventes presentes nesta celebração e que perdeu os pais e duas irmãs neste mesmo campo de morte, testemunhou ter vindo a Auschwitz para contar ao mundo o que ali aconteceu, e, ainda que acreditando que nunca tal se repetirá, confessa que "infelizmente há hoje aqueles que negam que ele tenha acontecido."
No entanto . e segundo as suas próprias palavras - o facto de poder estar ali a fazer estas afirmações faz dele "um vencedor."

LUZ SOBRE AS TREVAS
SOBREVIVENTE MOSTRANDO O NÚMERO
TATUADO NO BRAÇO
Nas palavras de Ronald Lauder, presidente do "Congresso Mundial Judaico", os sobreviventes representam a vitória da luz sobre as trevas, e conquanto os que não fizeram parte do Holocausto não possam entender o que as suas vítimas suportaram, "sabemos que a forma em como viveram as suas vidas após a libertação ensina-nos lições importantes sobre a dignidade humana."

"ENFRENTANDO OS DEMÓNIOS DA INTOLERÂNCIA"

"Estamos uma vez mais enfrentando os demónios perenes da intolerância às mãos dos anti-semitas, extremistas e dos fanáticos religiosos que querem novamente despir-vos da vossa história passada e da vossa identidade" - afirmou o consagrado realizador judeu Steven Spielberg aos sobreviventes presentes ontem na celebração em Cracóvia.

"UMA FERIDA ABERTA"
Muitas são as expressões emitidas por este grupo de 300 idosos, homens e mulheres que sobreviveram à maior de todas as tragédias de que há memória:

"É doloroso regressar aqui."
"Traz-nos más memórias."
"Isto representa o encerramento das casas de morte do povo judeu."
"Emocionalmente útil vir aqui."
"É como voltar a abrir uma ferida."

"ESQUECER NÃO PODE SER A SOLUÇÃO"
O laureado prémio Nobel da Literatura Elie Wiesel, ele também sobrevivente ao Holocausto, gravou uma mensagem que foi ontem exibida perante o grupo dos sobreviventes e outros reunidos, em que confessava que, ao mesmo tempo que nunca tinha encontrado respostas para a questão de "o que é que tinha tornado seres humanos tão cruéis para outros seres humanos", mesmo assim sabe que esquecer ou distorcer não pode ser a solução.

"SE TIVESSEM SIDO APENAS JUDEUS..."
O presidente do "Conselho Mundial Judaico" foi ainda mais longe na verberação da sua inquietação, tocando com o dedo na ferida e criticando a indiferença do mundo actual face ao anti-semitismo: "Temos de nos questionar: será que aprendemos a lição?" - perguntou Lauder, acrescentando que enquanto milhões desfilaram em França depois do assassínio dos responsáveis do jornal satírico "Charlie Hebdo" e de quatro judeus num supermercado judaico, "se tivessem assassinado apenas os quatro judeus, não teriam havido manifestações nem reacções de protesto."
Lauder condenou ainda a atitude actual de indiferença face à matança dos cristãos no Médio Oriente, comparando a situação àquela que se vivia nos anos 40, na Europa:
"Aquilo que aconteceu na Alemanha nazi é que o mundo não reagiu, e mais uma vez vemos que o mundo não reage" - afirmou, implorando à comunicação social para que entreviste os sobreviventes, veja as suas lágrimas e ouça as suas vozes: "Auschwitz é mais do que um lugar. É um símbolo da indiferença do povo face ao que está acontecendo."

GOVERNO PORTUGUÊS ASSOCIA-SE À EFEMÉRIDE
CAMPO DE EXTERMÍNIO BIRKENAU
Na sua homenagem aos sobreviventes do Holocausto nazi, o governo português salientou que lembrar o extermínio nazi é recusar o ódio, intolerância, discriminação, xenofobia e racismo "que ressurgem na actualidade."
Num comunicado divulgado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, o executivo português presta "homenagem aos milhões de judeus vítimas do extermínio nazi", acrescentando: "Ao assinalar esta efeméride, o governo português reafirma a necessidade de se preservar a memória do Holocausto e de assegurar que as gerações vindouras não o esquecerão."
ARISTIDES DE SOUSA MENDES
O comunicado recorda ainda os heróis do Holocausto, "pessoas - como os diplomatas portugueses Aristides de Sousa Mendes, Carlos Sampaio Garrido e Alberto Teixeira Branquinho - que, pela sua coragem e altruísmo, resgataram da morte milhares de judeus e outras vítimas do extermínio nazi."

"QUASE IMPOSSÍVEL DE COMPREENDER"
David Wisnia, um sobrevivente do Holocausto, agora com 88 anos, afirmou que o Holocausto era "quase impossível de compreender pela mente humana." E concluiu:

"Peço a Deus que como seres humanos sejamos capazes de aprender alguma coisa com isto."

Assim seja.
Shalom!



segunda-feira, janeiro 07, 2013

AUSCHWITZ ATINGE NÚMERO RECORDE DE VISITANTES EM 2012

O memorial de Auschwitz-Birkenau registou um número recorde de visitantes durante o ano de 2012: 1.430.000 visitantes no total. Segundo as autoridades responsáveis no local, este é o maior número de visitantes num só ano desde a abertura deste memorial ao Holocausto há 65 anos atrás.
O número de visitantes vai aumentando de ano para ano, sendo agora o triplo de há uma década atrás.
O director do Memorial, Piotr Cywinski, ao informar sobre estes novos números, afirmou ainda que nesta última década Auschwitz tem-se tornado "um memorial fundamental" para toda a Europa.
O número de visitantes aumentou drasticamente depois que a Polónia se juntou à União Européia, em 2004, tendo servido de "estímulo" para que pessoas oriundas de toda a Europa viajassem até à Polónia, ainda mais com a abertura de novas rotas aéreas até à cidade de Cracóvia, a cerca de 70 kms do Memorial de Auschwitz.
A maior parte dos visitantes - 446 mil - são provenientes da própria Polónia, seguido de grandes números oriundos da Inglaterra, Estados Unidos, Itália, Alemanha, Israel e outros países.
O turismo crescente é importante para a preservação da História do Holocausto, mas é ao mesmo tempo prejudicial para os barracões de madeira e outras estruturas existentes no local sem grande capacidade de resistência.
Estão a decorrer enormes esforços para a preservação do local, com o envolvimento de modernos laboratórios dedicados a salvar objectos que pertenceram às vítimas do campo e suas estruturas.
O objectivo é manter o local o mais semelhante possível àquilo que existia em Janeiro de 1945 quando as tropas soviéticas liberaram o campo de extermínio nazi.
Os nazis alemães assassinaram pelo menos 1,1 milhões de pessoas nos campos de extermínio de Auschwitz-Birkenau, sendo a maioria judeus, mas também políticos polacos, ciganos, gays e outros.
Shalom, Israel!


sábado, maio 15, 2010

VISITA A AUSCHWITZ E BIRKENAU

No passado dia 12 entrei pela minha primeira vez em dois dos lugares mais tenebrosos da História humana, 2 campos de extermínio onde pereceram um milhão e trezentas mil pessoas, dizimadas pela única "culpa" de serem judeus, ciganos, polacos ou homossexuais. As forças hitlerianas comandadas pela ideologia da "supremacia da raça ariana" quiseram resolver esta questão, criando campos de extermínio, onde não só centenas de milhares foram obrigados a trabalhos forçados sob condições inacreditavelmente sub-humanas - a média de sobrevivência das vítimas em Auschwitz era de 3 meses - mas acelerando o extermínio através das câmaras de gás de Birkenau.
Os judeus foram as principais vítimas deste genocídio, atingindo a cifra de 1,1 milhões de mortos, na sua maioria oriundos da Hungria (438 mil) e Polónia (300 mil). A filosofia nazi foi claramente expressa pelas palavras de Hans Frank, o governador-geral da Polónia ocupada: "Os judeus são uma raça que deve ser totalmente destruída".
Não há palavras possíveis para descrever o que se sente nesta visita. Há um silêncio que se apodera de nós, um turbilhão de perguntas para as quais jamais encontraremos respostas, e uma solenidade imposta pela memória do que ali se passou há quase 70 anos atrás.
Algumas fotos que consegui tirar dão idéia da dimensão do espaço de extermínio. Os fornos crematórios de Birkenau foram apressadamente destruídos pelos nazis perante a aproximação das tropas soviéticas, que depararam com 7 mil sobreviventes, muitos dos quais não resistiram às condições deploráveis em que se encontravam. Era o que "restava"...
Só em Maio e Junho de 1944 os nazis deportaram para Auschwitz cerca de 440 mil judeus da Hungria.
Não se podem tirar fotos do interior, onde se encontram testemunhos impressionantes dos métodos e formas de tortura e morte ali concebidos e praticados, tais como experiências cirúrgicas a sangue frio para estudar a capacidade de sobrevivência humanas, a câmara de gás de Auschwitz, etc.
Estes são lugares que precisam de ser visitados para que a memória não se apague. Nas palavras de um sobrevivente do Holocausto, o professor Wladyslaw Bartoszewski: "Milhões de pessoas no mundo sabem o que foi Auschwitz, mas a questão básica continua no consciente e memória das pessoas, e somente depende da sua decisão se esta tragédia voltará a acontecer. Somente as pessoas puderam causá-la e somente as pessoas podem impedi-la".
Visitar estes campos de extermínio é assim de suprema importância para quem deseja não só avivar a memória da tragédia e não permitir que ela se apague, mas também para quem como nós tem o dever de ser um arauto de vida, proclamando o respeito e o propósito divino da existência humana.
Estamos preparando uma visita de grupo a estes locais e outros da Polónia e Alemanha em Junho próximo (3 a 10), pelo que se tiver interesse em nos acompanhar, contacte-nos imediatamente pelo e-mail: viagens.shalom@clix.pt.
Shalom, Israel!