Não só o discurso foi brilhante, como o momento não poderia ter sido melhor: hoje mesmo os judeus celebram a sua alegre festa do "Purim", lembrando a salvação dos judeus na Pérsia de um plano macabro organizado pelo cruel Haman para a sua extinção colectiva.
Decorridos 2.500 anos, os planos voltam a ser activados, desta vez não com forcas, mas com armas nucleares. E é essa ameaça patente sobre Israel e o seu povo que Netanyahu foi ontem denunciar no Congresso norte-americano.
TAL COMO HÁ 2.500 ANOS..
Naquela altura, os judeus estavam no seu exílio babilónico, agora persa, em consequência da vitória do império medo-persa sobre o babilónico de Nabucodonozor.
O rei da Pérsia chamava-se Assuero, governando sobre 127 províncias e sobre todo o império mundial que agora os persas dominavam. O seu vice-rei chamava-se Haman, e era possuidor de um incurável ódio contra os judeus, que o levou a organizar e apresentar ao rei Assuero um macabro plano para a matança de todos os judeus que viviam na Pérsia. "Enviaram-se as cartas, por intermédio dos correios, a todas as províncias do rei, para que se destruíssem, matassem e aniquilassem de vez a todos os judeus, moços e velhos, crianças e mulheres, em um só dia, no dia treze do duodécimo mês, que é o mês de Adar, e que lhes saqueassem os bens." - Livro de Ester 3:13
Não fosse a coragem e oportunidade da raínha judia Ester, que, com risco da sua própria vida, decidiu abordar o rei e denunciar os planos de Haman, os judeus teriam sido completamente dizimados exactamente neste dia que hoje se comemora. Todos esses eventos tiveram lugar na antiga Pérsia, o actual Irão.
O cruel Haman lançou sortes - "purim" no original - para determinar qual o dia da matança dos judeus. A "sorte", ou o "purim" calhou no dia 13 do mês de Adar. É por isso que esta noite - o início do dia 13 de Adar - os judeus celebram a festa das "sortes", o "Purim", um tempo de grande alegria e festa, em que andam com disfarces nas ruas e trocam presentes entre si...
2.500 ANOS DEPOIS...
Netanyahu está a meio da sua campanha política para as eleições gerais em Israel no próximo dia 17. A sua ida a Washington gerou ondas de discussão em Israel e nos EUA, tanto mais que o presidente norte-americano se opôs claramente à visita do primeiro-ministro, nem sequer o recebendo na Casa Branca. Netanyahu arriscou assim a sua carreira, e não se sabe que frutos irá colher internamente desta sua visita ao Congresso americano.
Mas, tal como Ester, Netanyahu percebe que este tempo é vital para a sobrevivência do estado de Israel, permanentemente ameaçado pelo crescente desenvolvimento do programa nuclear iraniano. Todas as pessoas de bom senso percebem que o programa nuclear do Irão não se destina a fins pacíficos, de outra forma não teria de ser ocultado a dezenas de metros de profundidade e completamente interditado aos inspectores internacionais, como até agora tem acontecido.
É esse perigo que Obama não consegue ver, mas que Israel pressente, uma vez que está "ali mesmo ao lado", e conhece mais do que ninguém os efeitos do ódio anti-semita dos dirigentes da República Islâmica do Irão, ao investirem e apoiarem os terroristas do Hezbollah e do Hamas com milhões de dólares e armamento para a destruição de Israel.
Vezes sem conta a liderança iraniana tem prometido "limpar o tumor sionista" do mapa, e Israel sabe que eles dizem o que pensam e pensam o que dizem.
Esse desejo foi bem expresso nas palavras do líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, um capanga do Irão: "Se todos os judeus se juntarem em Israel, isso poupar-nos-à o trabalho de andarmos à caça deles pelo mundo fora."
NETANYAHU APOIA-SE NA BÍBLIA
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| NETANYAHU OFERECE UMA CÓPIA DO LIVRO DE ESTER AO LÍDER DO CONGRESSO |
Não só o primeiro-ministro de Israel fez alusão à história da raínha judia Ester da Pérsia no seu discurso de ontem, como também se referiu a Moisés, que libertou o povo de Israel do Egipto e o conduziu pelo deserto durante 40 anos. No seu discurso de despedida ao seu povo, Moisés encorajou-os a serem bravos e fortes, a colocarem a sua fé em Deus e a não se intimidarem pelos inimigos que inevitavelmente iriam encontrar pelo caminho.
Netanyahu apelou ontem ao Congresso norte-americano - em cuja sala se encontra curiosamente uma imagem de Moisés - para ficar ao lado de Israel, sendo bravo e forte, e a não se deixar intimidar pelo inimigo comum que os EUA e Israel enfrentam: o Irão nuclear.
"Porque, se de todo te calares agora, de outra parte se levantará para os judeus socorro e livramento, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para tal conjuntura como esta é que foste elevada a raínha?" - Livro de Ester 4:14.
Shalom, Israel!





