Após 4 dias de negociações sob a mediação dos EUA, Israel e o Líbano assinaram ontem um acordo histórico que representa um avanço para o restabelecimento de relações diplomáticas e políticas entre os dois países até aqui inimigos.
Segundo este acordo, as forças de Israel terão de se retirar de pequenas partes do Sul do Líbano, mesmo a meio de intensos combates entre Israel e o grupo terrorista do Hezbollah, que, tal como seria de esperar, tem-se manifestado contra este acordo. As zonas que Israel terá de abandonar já foram limpas da presença do Hezbollah pelas IDF. Em alguns casos, isso significou o arrasar completo de aldeias inteiras pelas forças israelitas na fronteira libanesa com Israel. Israel tem insistido que o Hezbollah fazia uso das mesmas para planear e realizar ataques contra Israel.
Este projecto de acordo foi conseguido no quarto dia da quinta ronda de conversações entre os dois países que se iniciaram em Washington no passado mês de Abril.
O embaixador israelita para os EUA afirmou que Israel manterá a sua "zona tampão" no Sul do Líbano até que as Forças Armadas regulares do Líbano demonstrem conseguir desmantelar o Hezbollah e assumir responsabilidades pela segurança da zona. Segundo o embaixador, o acordo não terá como base nenhuma data fixa, mas no progresso mensurável do exército libanês no desarmar do Hezbollah. Outras "zonas piloto" serão cedidas pelas IDF às forças regulares do Líbano à medida que as metas forem sendo cumpridas.
"O INÍCIO DO INÍCIO"
O secretário de estado norte-americano Marco Rubio, presente na assinatura do histórico acordo, escreveu numa declaração de constituição do "Grupo Trilateral de Coordenação Militar para o Líbano incrementado pelos Estados Unidos", que os EUA farão uma doação imediata de 100 milhões de dólares para assistência humanitária coordenada pela ONU.
Rubio afirmou também que o Departamento de Defesa dos EUA estava "preparado para reembolsar as Forças Armadas Libanesas com mais de 30 milhões de dólares sob as autoridades presentes e apropriações para apoiar a visão do presidente para uma paz duradoira no Líbano."
Na cerimónia de assinatura no Departamento de Estado, em Washington, Rubio pareceu reconhecer o alcance limitado do acordo, denominando-o de "o início do início."
"Há muito trabalho pela frente. Não queremos de maneira alguma subestimar a dificuldade da tarefa patente diante de nós, mas compreendemos a importância da mesma, o quão vital ela é, e sentimo-nos honrados por termos feito parte deste empreendimento" - afirmou Rubio, logo antes de elogiar os embaixadores de Israel e do Líbano nos Estados Unidos que lideraram as equipas de negociação dos respectivos países.
A embaixadora do Líbano Nada Hamadeh classificou a "estrutura trilateral...o primeiro passo no caminho da restauração da soberania e da integridade territorial do Líbano, assegurando um fim permanente das hostilidades, permitindo ao nosso povo voltar à sua terra e permitindo a todos os libaneses viverem em paz, segurança e prosperidade."
"Esta foi uma longa e difícil reunião. Estamos gratos ao anfitrião e às duas delegações pela sua cooperação durante estas conversações" - declarou Hamadeh, num claro acenar a Israel.
O embaixador israelita Leiter fez declarações mais extensas, mas fez questão de agradecer à embaixadora libanesa, tratando-a pelo próprio nome, "por ter sido uma negociadora muito dura", e dizendo-lhe: "Você e a sua equipa deram ao vosso país um exemplo de patriotismo. Você luta como uma leoa, senhora embaixadora!"
Pouco depois da assinatura do acordo, Netanyahu pronunciou-se: "Iremos manter (a zona tampão) até ao desarmamento do Hezbollah e enquanto existir uma ameaça ao estado de Israel."
"Este é também um duro golpe ao Irão. O Irão tem tentado persuadir-nos pela força a nos retirarmos do Sul do Líbano. E na essência, Israel, o Líbano, e os Estados Unidos estão dizendo ao Irão: não é nada convosco. Vocês não têm lugar no Líbano. Nem vocês, nem o Hezbollah, nem qualquer organização terrorista."
"Estamos também permitindo ao exército libanês preparar-se para tomar posse de território. Estamos a criar duas zonas piloto - ambas recomendadas pelas IDF." A retirada israelita será de áreas acima da "zona tampão".
Shalom, Israel!

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