sexta-feira, abril 24, 2015

GENOCÍDIO ARMÉNIO: ALIMENTO PARA O HOLOCAUSTO NAZI

Comemoram-se hoje os 100 anos do terrível genocídio arménio, em que cerca de 1,5 milhões de arménios cristãos foram chacinados pelos muçulmanos turcos otomanos.

E tal como então, 24 anos depois, em 1939, o mundo ficou novamente silencioso quando Hitler, no seu hediondo plano para o genocídio dos judeus, afirmou: "Se o mundo se calou então (com o genocídio arménio), também nada dirá agora."
O silêncio ensurdecedor do mundo civilizado e das grandes potências mundiais - especialmente as europeias - de há 100 anos atrás, tornou-se assim no combustível que alimentou o novo genocídio que se preparava em solo europeu: o extermínio de cerca de 6 milhões de judeus.

ONDE ESTÁ A CONDENAÇÃO MUNDIAL?
Apesar do incentivo corajoso do próprio chefe da Igreja Católica Romana à denúncia do massacre, apelidando-o publicamente de "genocídio", a maior parte dos países ainda não reconheceram o massacre como tal. Israel é um desses países, o que causa um espanto a todos aqueles que como eu condenam toda a forma e espécie de anti-semitismo. Nenhum país está em melhores condições para condenar a Turquia otomana e reconhecer o crime de 1915 como "genocídio" do que Israel, um país humanamente constituído como porto de abrigo para os sobreviventes do Holocausto nazi. Sinceramente, não entendo a atitude de Israel...
Por que será? Medo de ofender a Turquia? E qual é o problema? A Turquia não se farta de ofender e atacar Israel?

Nas cerimónias hoje realizadas na capital da Arménia, Yerevan, para comemorar os 100 anos do genocídio, e onde o presidente russo Putin e o francês Hollande se fizeram presentes, o presidente arménio, Sarkisian, provocou o mundo com esta afirmação: "Reconheçam o massacre como um genocídio. Ajudem a dispersar os 100 tenebrosos anos de negacionismo."
Este dia 24 de Abril lembra o dia exacto em que, há 100 anos atrás, 250 intelectuais arménios foram atacados naquilo que é visto como o primeiro passo para os massacres. Cerca de 1,5 milhões de arménios pereceram nos massacres, deportações e marchas forçadas iniciadas em 1915, quando os responsáveis otomanos temiam que os cristãos arménios alinhassem ao lado da Rússia, um inimigo da Turquia na I Guerra Mundial.

GENOCÍDIO NEGADO PELA TURQUIA
LÍDERES PRESENTES HOJE EM YEREVAN
Apesar das claras evidências históricas, os responsáveis turcos, sucessores do antigo império otomano, continuam veementemente a negar a acusação, alegando que os números foram empolados e que os mortos foram consequência da guerra civil e das insurreições. E o anti-semita presidente turco actual, o candidato a califa Recep Erdogan, faz questão de negar a culpa e as alegações de genocídio.

Que o mundo aprenda...e não esqueça...pois aqueles que esquecem o passado estão condenados a repetir os seus erros.

1 comentário:

Benaiah Cabral Ben Avraham Leiehouah יהוה The Liger disse...

Parabéns pela posição bem aclarada escritor. Me causa nojo e repúdio total essa atitude de Israel, que infelizmente faz parte da cicatriz de sua fraqueza como país e povo: para respeitar tratados e alianças específicas se chega até extremos inaceitáveis. Até antes do patético Erdodan, a Turquia era um bom aliado em vários aspectos, porém ainda assim isso não deveria ser motivo pra negar ou ser indiferente ao holocausto armênio assim como atitudes atuais armenias contra o sionismo também não servem de pretenso motivo.