terça-feira, novembro 14, 2006

COMO CRISTÃO, TENHO DE AMAR ISRAEL?



Será que como cristão, tenho de ser "amigo de Israel"?
Esta é uma pergunta que me fazem muitas vezes, tendo em vista o "fanatismo" de pessoas que, como eu, defendem a existência do estado de Israel como cumprimento das antigas profecias bíblicas.
Talvez o que queiram perguntar será outra coisa: "Até onde é que como "amigo de Israel" tenho de aprovar tudo o que o estado de Israel faz?"

É claro que não podemos confundir "a árvore com a floresta." Ser amigo de Israel, é acreditar que eles - os judeus - são o povo eleito, escolhido por Deus para um propósito específico, e nenhuma decisão errada ou pecado nacional alterará este facto. Deus estabeleceu um pacto com este povo que nunca foi nem será revogado. É a Palavra do próprio Deus que conta nesta situação.
É importante lembrar que o povo judeu não é o povo eleito por ser melhor ou mais perfeito que os outros povos. Pelo contrário, é exactamente por serem "menos em número do que todos os povos"que "O Senhor teu Deus (os) escolheu". (Deuteronómio 7:6,7). É por isso que Deus salvará Israel "por amor do Seu próprio Nome" (Ezequiel 36:22-25) e não por Israel ter merecido a salvação.
Além disso, temos o princípio bíblico revelado pelo apóstolo Paulo, o apóstolo aos gentios, que o cristãos não-judeus têm sido enxertados na mesma oliveira de Deus que também sustenta Israel. Em outras palavras, os cristãos gentios recebem a sua chamada a partir da mesma raíz que também escolheu a Israel. Assim, judeus e gentios pertencem-se um ao outro pois são suportados pela mesma e única raíz.
Lamentavelmente, muitas Igrejas têm distorcido teologicamente este princípio do Novo Testamento, não querendo aceitar que tanto os judeus como os cristãos estão ambos dependentes da mesma raíz. Isso manifesta-se muitas vezes na prática quando as Igrejas condenam Israel sempre que as suas acções contra os palestinianos não reflectem muito do "amor cristão" que se deve demonstrar ao nosso próximo. No entanto, quando os seus governos fazem algo parecido, então isso já se pode desculpar como actos de "defesa própria". Trata-se de ver o argueiro no olho do outro quando temos uma enorme trave nos nossos próprios olhos... (Mateus 7:3).
O facto de judeus e cristãos se pertencerem um ao outro é algo bem evidenciado pelos inimigos de Israel, mesmo quando muitos judeus e cristãos não se conscientizam disso. Os inimigos dos judeus e de Israel são também inimigos de Deus. O Salmo 83:2-5 diz: "Vê como os Teus inimigos se alvoroçam; os que Te odeiam levantam a cabeça. Astutamente formam conselho contra o Teu povo; conspiram contra os Teus protegidos. Dizem: Vinde, e desarraiguemo-los para que não sejam nação, nem haja mais memória do nome de Israel." - é como se o presidente do Irão estivesse a citar esta parte do Salmo...
Esta gente é também inimiga dos verdadeiros cristãos. O slogan islâmico, que se vê às vezes nas bandeiras palestinianas diz: "No Sábado mataremos os judeus e no Domingo os cristãos!" Isso prova que os judeus e os cristãos são apoiados pela mesma raíz porque são perseguidos pelo mesmo inimigo. Ao agirem por medo dos muçulmanos que se têm tornado mais violentos e radicais, alguns cristãos comprometem a sua teologia de forma a evitar tornarem-se vítimas da violência islâmica.
O papel dos verdadeiros cristãos é compreender as dificuldades e as lutas que o povo eleito tem de enfrentar para sobreviver no meio de inimigos devoradores e cruéis, e estar ao lado de Israel como nação escolhida por Deus para cumprir o Seu plano na terra. O que Israel mais precisa hoje em dia é de compreensão e muita... muita oração por parte daqueles que a amam de verdade.
O facto de não concordarmos com todas as decisões e acções da nação de Israel não quer dizer que subestimemos a realidade de pertencermos à mesma raíz, muito menos que lhe viremos as costas em tempos de dificuldade. Sejamos antes como Rute: "O teu povo será o meu povo, e o teu Deus será o meu Deus." (Rute 1:16)
Shalom, Israel!



1 comentário:

J. Pinheiro disse...

O meu amor e respeito a israel não me impede contudo de reconhecer que uma grande percentagem deles são descrentes e outros,muitos, mantêm a mesma atitude sempre perante Cristo o seu Messias : desprezo e repúdio ! Ainda que sejamos enxertados na mesma oliveira.
Por isso eu acrescentaria : «Aquilo de que Israel mais precisa hoje, e sempre, é de reconhecer o seu Messias e Senhor : Jesus Cristo, que els crucificaram.» Ora pela «Paz de Jerusalém» mas sempre com essa pena no coração...