sexta-feira, junho 21, 2013

HOMENAGEM A ARISTIDES DE SOUSA MENDES: FINALMENTE O INÍCIO DA RECONSTRUÇÃO DA CASA MUSEU?

Mais de mil pessoas reuniram-se ontem na aldeia beirã portuguesa de Cabanas de Viriato para um evento que poderá finalmente mudar o estado lamentável em que se encontra a casa que um dia abrigou a família de um "homem justo", o cônsul português em Bordéus que em 1940 decidiu desobedecer às ordens do então primeiro-ministro António Salazar, e emitir em apenas 48 horas os vistos para que 30 mil pessoas - muitas das quais judeus - pudessem entrar em Portugal, fugindo do Holocausto, partindo mais tarde para destinos acolhedores longínquos: Brasil e Estados Unidos da América.
YARA, BRASILEIRA, FILHA DE CASAL "SALVO" POR ARISTIDES
É muito conhecida a História deste grande humanista português, já tema de vários filmes, documentários, livros, conferências e comemorações. Várias fundações foram criadas em Portugal, França e agora nos E.U.A. para promover não só os ideais humanistas deste homem mas também para tentar levantar apoios para a reconstrução da casa do cônsul, num lamentável estado, completamente em ruínas, e votada ao esquecimento pelos consequentes governos portugueses, desde Salazar até ao actual Cavaco Silva.
UM DOS SOBREVIVENTES "SALVOS" POR ARISTIDES
Nas 48 horas em que Aristides de Sousa Mendes emitiu os vistos para aqueles 30 mil judeus, a vida sorriu para todos esses futuros condenados à morte, figurando entre eles alguns nomes conhecidos, como é o caso do famoso pintor Salvador Dali.

MAIS DE 3 MIL DESCENDENTES JÁ LOCALIZADOS
A iniciativa de ontem partiu de grupos de descendentes de sobreviventes salvos por Aristides, especialmente nos E.U.A., tendo-se criado uma fundação para o rastreio das famílias dos 30 mil que tendo sido salvos pela bondade do cônsul português, passaram por Portugal e foram mais tarde acolhidos pelos EUA e pelo Brasil. É um trabalho difícil e moroso, mas ontem mesmo iniciou-se algo que poderá no mínimo mudar a situação da casa de Aristides. 

Muitas entidades estiveram presentes, desde uma representante do Ministério da Cultura, ao embaixador de Israel, ao rabino de Lisboa, a representantes municipais, etc., mas as pessoas mais relevantes foram sem dúvida alguns familiares do cônsul, especialmente o sr. António Sousa Mendes, neto directo do herói nacional, e que amavelmente nos concedeu uma entrevista que publicaremos atempadamente neste blog, e também um dos sobreviventes, agora com 85 anos, e que na altura tinha apenas 8 anos de idade, lembrando-se ainda do drama vivido pelos seus pais e por ele próprio no caminho de fuga entre Bordéus e Portugal.
ANTÓNIO SOUSA MENDES, NETO DO GRANDE HERÓI
Vários descendentes (uns 30) dos sobreviventes vindos dos EUA, Brasil, França, etc., fizeram questão de estarem presentes nesta homenagem ao grande homem que honra a História de Portugal e do mundo, já apelidado de "Schindler português", ainda que na minha opinião muito mais nobre do que o alemão Óscar Schindler, uma vez que este "salvou" pouco mais de 1000 judeus, mas "aproveitou-se" da mão de obra barata deles para seu proveito pessoal, enquanto que a acção humanitária de Aristides foi totalmente despretensiosa, custando-lhe até a perda da sua posição e trabalho como cônsul em Bordéus e a miséria material com que ele e sua família (15 filhos) tiveram de enfrentar os últimos anos de vida...
FAMÍLIAS INTEIRAS "SALVAS" POR ARISTIDES
O ditador Salazar não só não aceitou a "desobediência" de Aristides, como tratou de o "castigar", deixando este grande Homem completamente na miséria...
O porta voz do governo português prometeu ontem mesmo uma ajuda de mais de 300 mil euros para a reconstrução do telhado da casa, que se encontra completamente em ruínas. A salientar que dessa verba, 85% são provenientes de fundos comunitários.
Esperamos para ver até que ponto essa promessa se irá cumprir...

INAUGURAÇÃO DO MUSEU
ARQUITECTO JUDEU RESPONSÁVEL PELA OBRA
Ontem foi também inaugurado o primórdio do Museu dedicado à vida e obra de Aristides de Sousa Mendes numa construção provisória na entrada da casa, fruto do projecto de um jovem promissor arquitecto norte americano, ele mesmo neto de um dos sobreviventes salvos por Aristides, e que também esteve presente nas cerimónias realizadas ontem.
Apesar dos discursos de ocasião proferidos pelos representantes municipais e governamentais, a verdade patente diante dos olhos de todos é que a casa está completamente em ruínas, em risco de cair, já que nenhuma obra de recuperação ali foi feita nas últimas décadas. Isto apesar de ontem mesmo alguns desses representantes oficiais terem afirmado que sempre estiveram apoiando o projecto, e outras afirmações de ocasião típicas de políticos hipócritas e aproveitadores de ocasiões como as de ontem para se colocarem nos bicos dos pés...
Todos os descendentes presentes ontem nas homenagens ficaram visivelmente chocados com o estado da casa, interrogando-se certamente vezes sem conta porque será que Portugal trata os seus filhos e heróis desta forma...
Espero sinceramente que a partir de ontem as coisas comecem a mudar. Todo o evento foi acompanhado por todas as grandes estações de TV portuguesas, pela rádio e por alguns dos mais importantes jornais.
Ficou portanto o registo. Resta-nos agora "ver para crer".
O importante é a memória e o exemplo que Aristides deixou a toda a humanidade. Foi ontem citada a frase bíblica que "mais importa obedecer a Deus do que aos homens". Certamente que sim. Aristides foi bem o exemplo disso. Quando questionado sobre aquilo que o levou a tomar tão arriscada decisão, ele simplesmente respondeu: "Prefiro estar com Deus contra os homens do que com os homens contra Deus."
Shalom!




3 comentários:

Zafenate Panéia disse...

Esse português realmente merece muito respeito, que DEUS abençoe seus descendentes.

Anónimo disse...

Aristides de Sousa mendes é considerado justo não somente pelos homens, mas creio também por D'us.

O Senhor com certeza agirá com todas sortes de bençãos e salvação com a sua descendência.

Fabiana

Manuela Teixeira disse...

Aristides Sousa Mendes é dos maiores humanistas da nossa história e merece se recordado para sempre. Ele é, certamente, justo aos olhos de Deus porque se alguma vez sentiu a angústia da miséria a que a família foi votada terá sabido aceitá-la como Cristo na Cruz