Na hora em que escrevo este blogue o primeiro-ministro de Israel está reunido na Casa Branca com o presidente norte-americano Donald Trump. Junto com Trump estão o secretário de estado Marco Rubio, o secretário da Defesa Steve Hegseth, e o conselheiro sénior do presidente, Jared Kushner. Para além destas altas individualidades, está também presente o enviado especial para o Médio Oriente, Steve Witkoff.
Este encontro inesperado tem como agenda principal a questão do Irão e de Gaza. Israel está preocupado com as conversações há dias encetadas entre os EUA e o Irão, em Oman, uma vez que incluem apenas a questão do programa nuclear, mas não abordam a questão premente dos mísseis balísticos, os quais constituem a mais grave e imediata ameaça a Israel. Para além disso, não está também incluída a obrigatoriedade de o Irão não patrocinar mais os seus grupos proxies, como o Hezbollah, a Jihad Islâmica, o Hamas e os houthis, no Iémen. O governo de Israel sente - e com toda a razão - que Trump poderá estar a ser engodado pelos hábeis negociadores iranianos, que vão aproveitando para arrastar os pés nas negociações, até que a paciência de Donald se esgote, ou que, pelo contrário, ele se contente com pouco e deixe Israel a lidar sozinho com a ameaça iraniana.
Donald Trump afirmou ontem que o Irão "está desesperado por fazer um acordo", mas que, se não o fizer, "teremos de fazer algo muito duro."
Netanyahu apresentará assim à liderança de Washington as condições necessárias para um acordo satisfatório, tanto mais que Israel dispõe de informações extraídas de satélites e dos seus próprios serviços de inteligência acerca do desenvolvimento do programa nuclear e do fabrico contínuo de mais mísseis balísticos, extremamente perigosos para Israel. É de todo o interesse de Israel que Trump avance com um ataque decisivo ao programa nuclear iraniano e às suas instalações de fabrico de mísseis, tanto mais que os EUA têm concentrado naquela região do globo um formidável dispositivo militar nunca anteriormente visto.
Netanyahu chegou ontem à noite a Washington, reuniu-se esta manhã com Marco Rubio, tendo na ocasião assinado a participação de Israel no "Conselho da Paz" promovido por Donald Trump para o futuro da Faixa de Gaza e de toda a região do Médio Oriente. O primeiro-ministro regressa amanhã mesmo a Israel, um sinal de que algo urgente poderá estar a ser preparado.
Netanyahu informará também Donald Trump da recusa do grupo terrorista Hamas em se desarmar, desrespeitando dessa forma o acordado para esta 2ª fase do acordo. Israel está preparado para agir com toda a força contra o Hamas para obrigar o grupo a entregar as armas. Não vai ser fácil, mas é necessário que Trump se aperceba do problema e da necessidade de apoiar o estado judaico na sua intervenção militar.
A reunião é praticamente secreta, sem a presença de repórteres, nem previsão de qualquer conferência de imprensa no final do encontro, revelando a grande importância, urgência e sensibilidade dos assuntos tratados.
Shalom, Israel!

Sem comentários:
Enviar um comentário