Com a instabilidade causada pela revolta das populações nas ruas do Egipto, Israel teme perder um vizinho "amigo" de grande importância estratégica, com quem já entrou em guerra mas com quem também fez a paz.Israel teme também pelo "contágio" que essa revolta justificada possa transmitir à vizinha Jordânia, com quem também fez um acordo de paz e tem coexistido pacificamente nestes últimos anos.
Não é a revolta popular em si que mais preocupa Israel: afinal o povo expressa o cansaço e a revolta por governos e presidentes corruptos que tiranizaram o povo, usufruindo de todos os privilégios que o estatuto lhes conferia em detrimento do bem estar material e social do povo.
O que verdadeiramete inquieta Israel é o que irá resultar destas revoluções, uma vez que o Irão está apoiando as manifestações de rua e grupos como a "Irmandade Islâmica" se movimentam para tomar o poder.
Netanyahu visitou várias vezes o Egipto e mantinha boas relações com o agora contestado presidente Mubarak. Com a possível saída de Mubarak, com quem é que Israel poderá contar?
Se o chefe dos serviços secretos egípcios Omar Suleiman substituir o actual presidente, isso não será mau para Israel. Ao mesmo tempo, tendo de "arrumar a casa", o processo de paz com Israel não será obviamente a primeira preocupação do novo governo e presidente do Egipto.
O rei Abdullah da Jordânia tem também vindo a acusar Israel do impasse nas negociações, recusando até a encontrar-se com Netanyahu.
Na fronteira Norte, por seu lado, depois da queda do governo libanês liderado por Saad Hariri e da tomada do poder por uma regime fantoche comandado pelo grupo terrorista Hezbollah, o quadro político e estratégico do Médio Oriente complicou-se acentuadamente para Israel.
Nos territórios palestinianos, o presidente Mahmoud Abbas está envolvido numa batalha contra a TV árabe Al-Jazeera (agora também proibida no Egipto), depois que esta expôs as concessões extensas que ele fez nas negociações com Israel, apresentando-o dessa forma como um "traidor" do seu povo. Os tumultos no Egipto levantam agora temores de que o povo palestiniano venha também a alimentar um apetite pela destruição e a manifestar-se nas ruas com o propósito de derrubar o decrépito e corrupto governo palestiniano.
E como se não bastasse, a América é governada por um homem cuja atitude para com Israel é a menos simpática dos últimos presidentes americanos.
Israel tem de contar cada vez mais consigo mesmo. E com Deus. Eu diria que talvez esta seja mesmo a forma permitida pelo Eterno para que o povo eleito se volte seriamente para o seu Deus, deixando de lado toda a confiança nas suas próprias capacidades (que são muitas), mas olhar para cima: "Levantarei os meus olhos para os montes: de onde vem o meu socorro? O meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra...Eis que não tosquenejará nem dormirá o guarda de Israel" (Salmo 121).
Shalom, Israel!