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quinta-feira, setembro 18, 2014

ÁRABES CRISTÃOS EM ISRAEL JÁ PODEM SER...ARAMEUS!

GABRIEL NADAF E NETANYAHU
Muitos dos 160.000 cristãos israelitas, até agora considerados árabes, podem a partir de agora registar-se oficialmente como arameus.
O ministro do Interior israelita Gideon Saar deu instruções à "Autoridade para a Imigração e Fronteiras" para permitir o registo de uma nova nacionalidade: arameu - nos cartões de identidade dos cidadãos cristãos até agora registados como "árabes".
Numa carta dirigida ao director da "Autoridade para a Imigração e Fronteiras", Saar referiu "ter recebido três opiniões segundo as quais a existência de uma nacionalidade arameia é clara e óbvia, tal como foi requerido pelo Tribunal Supremo."
"As condições requeridas para provar a existência da nacionalidade estão presentes, incluindo a herança histórica, religião, cultura, descendência e linguagem" - acrescentou o ministro.
Segundo esta ordem ministerial, qualquer cidadão que preencha essas condições é elegível e registar-se oficialmente como "arameu."
BÍBLIA EM ARAMAICO, A LÍNGUA DOS ARAMEUS
Esta decisão do ministro Saar aplica-se em última instância aos cristãos que actualmente vivem em Israel e que se identificam como arameus, que podem falar aramaico, e que são oriundos de uma das diversas denominações cristãs: maronita, ortodoxa aramaica, ortodoxa grega, católica grega e católica siríaca. Algumas delas, ansiando por uma mudança de estatuto, registaram-se como grupo no Ministério do Interior já no ano 2010, podendo agora finalmente registar-se como arameias.
Uma página no facebook que reúne os apoiantes do padre Gabriel Nadaf, líder na minoria arameia, mostrou o êxtase criado na comunidade por esta decisão governamental israelita.
A decisão "corrige uma injustiça histórica que definia erradamente os cidadãos israelitas de ascendência cristã oriental como "árabes cristãos", apesar de, com excepção da língua falada (árabe), eles não terem absolutamente qualquer conexão com a nacionalidade árabe" - escreveu Nadaf.
Numa carta emotiva escrita ao ministro Saar, Hanad agradeceu-lhe pelo "pluralismo e abertura da sociedade israelita na absorção de minorias religiosas e éticas, com base no amor e aceitação, sem qualquer descriminação, segundo os princípios da democracia, liberdade individual, liberdade de consciência e liberdade de culto."
O padre Nadaf acrescentou que os cristãos desejam ser "uma parte inseparável" da sociedade de Israel e fazer com que as suas vozes sejam ouvidas "nas esferas sociais, económicas, académicas e políticas no estado de Israel."
E acrescentou: "Esta é a primeira vez que um estado do Médio Oriente reconhece a minoria cristã arameia como uma nacionalidade legítima e age para a preservar, bem como ensinar a sua língua e absorvê-la na sociedade."
"Contrastando com os países da região em que os cristãos e outras minorias são sistematicamente assassinados, igrejas são destruídas e as pessoas são forçadas a esconder a sua identidade só por se definirem como cristãs - enquanto que em cada década que o mundo progride e avança, os países árabes recuam uma década - o estado de Israel deu um gigantesco passo em frente."
Nadaf é um caso único entre os líderes cristãos ortodoxos ao advogar uma forte conexão entre a sua comunidade e o estado - razão pela qual tem sido punido pela igreja oficial ortodoxa grega, que tem tentado afastá-lo.
Vários ministros árabes também o têm condenado, chamando-lhe "um agente do sionismo que tenta dividir os árabes." Hadaf tem sido ameaçado com violência e até recebeu ameaças de morte, mas mesmo assim insiste que representa um razoável segmento da comunidade cristã israelita.
"Sentimo-nos seguros no estado de Israel" - afirmou Nadaf - "e vemo-nos como cidadãos do estado com todos os respectivos direitos e obrigações."

QUEM SÃO OS ARAMEUS?
Segundo a Bíblia hebraica, os arameus eram um povo oriundo da Mesopotâmia, os "Aram-Naharaim" (Aram dos dois rios), além das regiões circunvizinhas, como a Síria, a Pérsia, o vale do Jordão e as montanhas do Líbano. 
Aram foi também o quinto filho de Sem, o primogénito de Noé. 
Os judeus usavam a expressão "arameus" para distinguirem os seus povos aparentados mais afastados, os "povos de Aram", no Oriente, ou os "filhos de Eber", como também era designado este povo, unificado pela língua aramaica e não pela existência de qualquer estado. Em alguns trechos da Bíblia os "arameus" são referidos como "sírios."
Historicamente, sabe-se que os arameus se instalaram em definitivo no "Aram bíblico" no século XII a.C. , numa região entre a parte sul da Turquia, Síria e Iraque, naquilo que hoje se conhece como o Curdistão. O 2º Livro de Samuel refere-se também a um efémero reino arameu, na região da actual Damasco, mas que rapidamente se desvaneceu. 
Os arameus, como povo, diluíram-se etnicamente entre os povos do Mediterrâneo Oriental, ainda que a língua tivesse perdurado.
A sua língua, o aramaico, é um idioma semítico, com alfabeto próprio e mais de 3 milénios de formação, e é a língua que Jesus falava, pois naquela época era muito falada na região da Galiléia e da Síria. Chegou a ser declarado como idioma oficial pelos assírios e pelos persas. O aramaico está assimilado ao siríaco, uma língua mais litúrgica e religiosa, uma vez que os descendentes dos arameus que se encontram maioritariamente na Síria, ainda que mesclados com outros povos, são na sua maioria cristãos.

Shalom, Israel!



terça-feira, maio 29, 2012

O RESSUSCITAR DA LÍNGUA ARAMAICA - A LÍNGUA FALADA POR JESUS

A oração do "Pai Nosso" em aramaico
Duas pequenas aldeias da comunidade cristã que habita em Israel estão ensinando aramaico, num ambicioso esforço para reviver a língua que Jesus falava, séculos depois de ela ter praticamente desaparecido do Médio Oriente.
O novo foco na língua dominante na região há 2 mil anos atrás conta com a pequena ajuda da tecnologia moderna: um canal de TV em língua aramaica transmitido a partir da Suécia, onde uma vibrante comunidade de imigrantes tem mantido viva esta língua.  
Na aldeia palestiniana de Beit Jala, uma geração mais velha de pessoas que falam aramaico está tentando partilhar a língua com os seus netos. Beit Jala está ao lado de Belém, onde segundo o Novo Testamento o Messias Jesus nasceu.
Também na aldeia árabe israelita de Jish, situada nos montes da Galiléia, onde Jesus viveu e pregou, as crianças da escola primária estão a ser instruídas em aramaico. As crianças pertencem maioritariamente à comunidade cristã maronita. Os maronitas ainda declamam a sua liturgia em aramaico, mas poucos entendem as suas orações.
"Queremos falar a língua que Jesus falava" - disse Carla Hadad, uma menina de 10 anos de Jish, que constantemente movia os seus braços para responder às questões em aramaico feitas pela professora Mona Issa durante uma aula recente.
"Nós costumávamos falar esta língua há muito tempo atrás" - acrescentou, referindo-se aos seus ancestrais. Durante a aula, uma dezena de crianças pronunciaram uma oração cristã em aramaico. Aprenderam também as palavras "elefante", "como estás?" e "montanha" em aramaico. Algumas crianças desenharam cuidadosamente letras aramaicas bastante pontiagudas.
O dialecto ensinado em Jish e Beit Jala é o "siríaco", que era falado pelos seus antepassados cristãos e que se assemelha ao dialecto galileu que Jesus teria usado, segundo a opinião de Steven Fassberg, um perito no aramaico na Universidade Hebraica de Jerusalém.
"Eles talvez se conseguissem compreender uns aos outros" - disse Fassberg.
80 crianças desde o 1º ao 5º graus estudam aramaico em Jish como matéria voluntária durante duas horas por semana. O Ministério da Educação de Israel providenciou fundos para acrescentar classes até ao 8º grau.
Alguns residentes de Jish fizeram lobby há alguns anos atrás para que realizassem estudos de aramaico - informou o porta voz Khatieb-Zuabi - mas a idéia encontrou resistência: os muçulmanos de Jish, preocuparam-se que essa fosse uma forma "encapotada" de aliciar as suas crianças para o cristianismo. Alguns cristãos objectaram, dizendo que a ênfase na sua língua ancestral estava sendo usada para os roubar da sua identidade árabe. A questão é sensível para muitos árabes muçulmanos e cristãos em Israel, que preferem ser identificados pela sua etnia e não pela sua fé religiosa.
Mais recentemente, Khatieb-Zuabi, um muçulmano secular de uma outra aldeia, conseguiu "vencer a causa":
"Esta é a nossa herança e cultura colectiva. Devemos celebrá-la e estudá-la" - afirmou o professor. E assim, segundo informações do Ministério da Educação, a Escola Primária de Jish tornou-se na única escola pública de Israel a ensinar aramaico.
Os seus esforços estão também espelhados na escola de Beit Jala, a Mar Afram, dirigida pela Igreja Ortodoxa Síria e localizada a escassos quilómetros da Praça da Manjedoura, em Belém.
Os sacerdotes têm ali ensinado a língua aramaica aos seus 320 alunos durante os últimos cinco anos. Cerca de 360 famílias na região descendem de refugiados de língua aramaica que nos anos 20 fugiram da região de Tur Abdin, naquilo que é hoje a Turquia.
O sacerdote Butros Nimeh informou que os anciãos ainda falam a língua, mas que a mesma se esvaiu entre as gerações mais novas. Nimeh disse que eles esperam que ao ensinarem a língua, as crianças venham a apreciar as suas raízes.
Apesar de tanto a Igreja Ortodoxa Síria como a Maronita cultuarem em aramaico, são dois grupos religiosos distintos.
Os Maronitas compõem a Igreja cristã dominante no vizinho Líbano, mas são apenas uns poucos milhares dentre os 210.000 cristãos que vivem na Terra Santa, Israel. Da mesma forma, os cristãos ortodoxos sírios não passam dos 2.000 na Terra Santa - informou Nimeh. No total, vivem em Israel cerca de 210 mil cristãos.
Ambas as escolas encontram inspiração e assistência num local inesperado: a Suécia. É lá, na Suécia que comunidades de fala aramaica oriundas do Médio Oriente estão a tentar manter viva a sua língua.
Ali eles publicam um jornal, o "Bahro Suryoyo", panfletos e livros infantis, incluindo "O Pequeno Príncipe" e mantêm uma estação de TV, a "Soryoyosat" - informou Arzu Alan, a representante da Federação Siríaca Aramaica da Suécia.
Há uma equipa de futebol aramaica também na Suécia. Estima-se entre 30 a 80 mil os que falam aramaico.
Para muitos cristãos maronitas e ortodoxos sírios que vivem em Israel, foi a estação de televisão em especial que lhes deu a primeira oportunidade de ouvirem a língua aramaica fora da igreja, desde há décadas. Ouvir a língua num contexto moderno inspirou-os a tentarem reviver a língua nas suas comunidades.
"Quando ouvimos (a língua), podemos falá-la" - disse Issa, a professora.
Os dialectos aramaicos foram falados na região desde há 2.500 anos atrás, até ao século 6º, quando o árabe, a língua falada pelos conquistadores muçulmanos da península arábica se tornou a língua dominante.
Alguma "ilhas" linguísticas sobreviveram: os maronitas agarraram-se à liturgia na língua aramaica, e o mesmo aconteceu com a Igreja ortodoxa síria. Os judeus curdos que viviam na ilha fluvial de Zakho falavam um dialecto aramaico chamado "Targum" até à sua fuga para Israel nos anos 50. Três aldeias cristãs na Síria ainda falam um dialecto aramaico.
Com poucas oportunidades para praticar a antiga língua, os professores em Jish têm acalmado as expectativas. Mas esperam poder pelo menos reviver uma compreensão da língua falada pelo Messias de Israel.
Shalom!