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sábado, maio 01, 2021

A TRAGÉDIA DO MONTE MERON: UM DESASTRE MAIS QUE PREVISTO E ANUNCIADO

Israel entrou num dia nacional de luto pelas 45 vítimas da horrível tragédia ocorrida durante a celebração religiosa de judeus ultra-ortodoxos no Norte da Galiléia. 

Começam-se agora a culpas os responsáveis da tragédia, mas o que se sabe é que tinham sido feitos vários e sérios avisos para que não houvessem aglomerações no local, já de si limitado a um máximo de 10 mil pessoas, mas onde estavam reunidas quase 100 mil...

AVISOS DA POLÍCIA

Numa reunião realizada duas semanas antes da tragédia com oficiais do topo da polícia e representantes do Ministério da Saúde foi recomendado o encerramento do recinto das peregrinações, tendo em vista "a segurança do público e o controle da multidão e respectiva pressão, como prioridade." Vários intervenientes da reunião recomendaram que se encerrasse o lugar do túmulo do rabino que atrai multidões de judeus ultra-ortodoxos nesta altura do ano. Foi ainda sugerido que só se permitisse o acesso a pessoas portadoras do "cartão verde", o certificado de vacinação contra o coronavirus. Mas apesar destes avisos, a polícia decidiu não impôr restrições ao número de participantes...

Já há vários anos que o gabinete da controladoria havia alertado que acabaria por haver um desastre no Monte Meron. Relatórios de 2008 e 2011 referiam-se ao desastre anunciado que iria acontecer no local das peregrinações, uma vez que o mesmo não tinha condições de suportar grandes aglomerações. 

Segundo os padrões de segurança, não mais de 15 mil pessoas deveriam ser admitidas de cada vez naquele lugar, mas a aglomeração da passada Quinta-Feira contou com mais de 100 mil pessoas. E em anos pré pandemia os números foram ainda maiores...

32 dos 45 corpos foram entretanto identificados, tendo-se já procedido aos respectivos funerais. 

Lamentável, mas mais que expectável. Que ao menos se aprendam as lições para que tal tragédia nunca mais se repita...

Shalom, Israel!


sexta-feira, abril 30, 2021

TRAGÉDIA EM CELEBRAÇÃO RELIGIOSA JUDAICA PROVOCA 45 MORTOS E 150 FERIDOS

Um total de pelo menos 45 pessoas morreram ontem à noite depois de se ter dado uma debandada em massa no meio de uma multidão aglomerada para a tradicional cerimónia do "acender da fogueira" da festa da Lag Ba'Omer, no Monte Meron, naquilo que o primeiro-ministro classificou como "um desastre pesado."

Equipas de socorro estão ainda a trabalhar no local do incidente para tentar encontrar mais vítimas e socorrer os feridos. Peritos estão a tentar identificar as vítimas, entre as quais também se encontravam crianças. O Ministério dos Transportes deslocou 300 autocarros vazios para o local para transportar os peregrinos, contudo a falta de policiamento tem causado grandes engarrafamentos nas vias de acesso. 

Cerca de 90.000 pessoas - na sua maioria judeus ortodoxos - tinham-se dirigido ao Monte Meron, até ao túmulo do rabino Shimon Bar Yochai, um sábio místico do 2º século d.C., para as comemorações anuais da Lag Ba'Omer, e que incluíam orações, canções místicas e danças pela noite fora. A maior parte dos mortos pertencia à seita hassídica Toldot Aharon, sediada em Jerusalém.

Para além dos já identificados 45 mortos, a tragédia provocada pela debandada provocou ainda cerca de 150 feridos, dos quais 21 ainda estão a receber tratamentos médicos nos hospitais da região Norte, com 4 deles em situação crítica. Mais de 250 ambulâncias e 6 helicópteros foram destacados para resgatar os feridos do local, para além de um hospital de campanha que foi montado no local da tragédia. 

A polícia já abriu entretanto um inquérito para investigar a causa da tragédia.

DESOBEDIÊNCIA ÀS AUTORIDADES

Em clara desobediência às normas impostas pelas autoridades sanitárias, multidões estáticas haviam-se concentrado na inclinação do Monte Meron, sendo a maior multidão concentrada num só local depois que Israel levantou as restrições aos ajuntamentos há algumas semanas. Segundo testemunhas no local, pessoas ficaram asfixiadas ou pisadas numa passagem por volta da uma hora da manhã, tendo algumas passado despercebidas até que o sistema de som começou a apelar à dispersão. De princípio, muitos julgaram tratar-se de um alarme de bomba. Outra testemunha que se encontrava na entrada partilhou que quando tencionavam sair, a polícia bloqueou a entrada, pelo que quem quisesse escapar não podia. Com a pressa, as pessoas iam caindo umas sobre as outras, acabando algumas por morrer asfixiadas ou feridas pelo esmagamento contra as grades que bloqueavam a saída. 

O local da peregrinação deveria ter sido limitado a 10 mil pessoas, mas quase 100 mil aglomeram-se no local, contrariando as directrizes dadas pela polícia destacada para o local. Mais de 650 autocarros tinham sido fretados para conduzir os religiosos ao Monte das celebrações. 

Aquilo que era uma euforia pelo facto de poderem estar a celebrar esta festa pela primeira vez após a pandemia tornou-se num horrível desastre, constituindo uma das maiores tragédias ocorridas em Israel nestes últimos anos. 

Todo o país está de luto, chorando os seus mortos e rezando pelas famílias enlutadas e pelos feridos.

Shalom, Israel!