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sexta-feira, junho 11, 2021

COLIGAÇÃO GOVERNAMENTAL JÁ COMPLETA SERÁ VOTADA NO PRÓXIMO DOMINGO

Após dois anos e meio de impasses políticos e vários actos eleitorais, será finalmente votado no parlamento de Israel o novo governo dirigido por Naftali Bennett e que é composto por uma coligação de 8 partidos.

"A assinatura destes acordos encerra um período de dois anos e meio de crises políticas. O governo irá trabalhar para todo o público de Israel: religioso, secular, ultra-ortodoxo, árabe - sem excepção, como um. Iremos trabalhar juntos, em parceria e com responsabilidade nacional, e acredito que vamos ter sucesso" - afirmou o provável novo primeiro-ministro Bennett, que porá fim a 12 anos de governação contínua de Benjamin Netanyahu. Embora tenha matematicamente ganho as eleições, Netanyahu não conseguiu mesmo assim reunir uma coligação que obtivesse os necessários 61 votos mínimos para a sua aprovação no parlamento, pelo que o presidente israelita entregou ao seu principal rival Lapid a composição de um governo.

Bennet afirmou ainda o seguinte: "O público israelita merece um governo funcional e responsável que ponha o bem do país no topo da sua agenda. É para isso que este governo de unidade foi formado. Todos os parceiros deste governo estão comprometidos acima de tudo e todos com o povo de Israel."

Esta coligação vai trabalhar na realização de vários projectos anunciados: 2 novos hospitais, um no Negueve e outro na Galiléia, um novo aeroporto, uma universidade na Galiléia, ajuda à indústria turística afectada pela covid-19, construção de 300.000 novos apartamentos de baixo custo por todo o país, e um esforço para aumentar para 15% a percentagem da população activa nas indústrias de alta tecnologia. 

Este será também o primeiro governo israelita das últimas décadas a fazer um acordo com o partido árabe Ra'Am (Lista Árabe Unida). O partido árabe terá um ministro no governo, o qual lidará com as questões da população árabe. O novo governo irá investir nos próximos anos 2,5 biliões de shekels no combate ao crime nos sectores árabes, e 20 biliões para a melhoria das infraestruturas de transportes na população árabe até 2030. Para além disso, mais 100 milhões serão também aplicados nos próximos 5 anos para projectos de infraestruturas em comunidades árabes. Três povoações beduínas ainda não legalizadas passarão a ser reconhecidas e desenvolvidas. 

Foram também assinados hoje vários acordos, como a limitação do mandato do primeiro-ministro para 2 mandatos de 4 anos cada, e outros, relacionados com o transporte público aos sábados, o acesso ao Muro Ocidental, a igualdade de género, a descriminalização do uso da canábis, a prevenção de construções palestinianas na chamada "área C" na Judeia e Samaria controlada por Israel, e o desenvolvimento dos Montes Golan. Foram também aprovadas propostas relacionadas com o recrutamento para as forças armadas de estudantes das escolas religiosas, e a vinda de mais judeus da Etiópia para Israel. 

Shalom, Israel!

quarta-feira, março 24, 2021

IMPASSE NAS ELEIÇÕES ISRAELITAS PODE SER RESOLVIDO PELOS...ÁRABES MUÇULMANOS

Contrariamente ao que se projectava ontem à boca das urnas de voto, o primeiro-ministro, apesar de ter sido o vencedor nas eleições, não conseguiu mesmo assim os almejados 61 assentos no parlamento. Apesar de o seu partido vencedor, o Likud, se associar em coligação com outros partidos da direita - o UTJ, o Shas, o Partido Sionista Religioso e Yamina liderado por Bennett - não conseguiu mesmo assim ultrapassar os 59 deputados para um parlamento  com 120.

E, no meio deste impasse, algo de imprevisível e inédito pode vir a acontecer para desbloquear este processo: o apoio do partido árabe-islamita Ra'am.

O líder do partido Ra'am, Mansour Abbas, já colaborou no passado com Netanyahu, e os apoiantes do partido vencedor da direita Likud já estão a trabalhar nos media para legitimizarem a formação de uma coligação com o apoio dos árabes. Abbas justifica a sua colaboração com Netanyahu e outros partidos sionistas desde que em troca ele possa ganhar benefícios para a comunidade árabe, que enfrenta pobres infraestruturas, uma crescente taxa de crimes e uma elevada taxa de desemprego. 

O partido árabe conseguiu uns inesperados 5 assentos no parlamento, quando se esperava que não ultrapassassem os 3,25% dos votos. 

O Likud conseguiu 30 deputados, o Yesh Atid 18, o Shas 9, o Azul e Branco 8, o Judaísmo Unido da Torá, o Yamina e o Partido Trabalhista 7 cada um, o Nova Esperança, o Yisrael Beytenu, e o Partido Sionista Religioso 6 cada um, e o Meretz 5. O partido árabe Ra'am conseguiu 5 e a Lista Conjunta 6. 

Num discurso pronunciado às 2 e meia da madrugada, Netanyahu declarou que o seu partido Likud tinha ganho as eleições, prometendo ao mesmo tempo tudo fazer para impedir a realização de mais eleições (as quintas), tendo convocado todos os políticos do seu espectro a entrarem num governo que ele tenciona organizar de imediato. Netanyahu apelou aos líderes dos outros partidos da direita para formarem um governo forte de direita. 

67,2% dos eleitores foram ontem às urnas, um queda de 4,3% face às últimas eleições de Março. 

Israel é um país de surpresas, e esta possibilidade de os árabes se juntarem ao governo é um claro sinal de mudança e, quiçá, de uma maior aproximação entre os dois povos.

Shalom, Israel!