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sábado, setembro 08, 2018

CRÓNICAS DE UMA MEMORÁVEL EXCURSÃO A ISRAEL - Última parte

30 de Agosto de 2018
 
O inevitável dia chegara. Como reza o ditado, "Não há bem que sempre dure..."
Um misto de tristeza, nostalgia e ansiedade assaltava muitos de nós. Mas, graças a Deus, este é um problema que tem solução. Há sempre um Israel que espera por nós...
 
Iniciámos a breve jornada com a imperdível passagem pela MAQUETE DE JERUSALÉM, junto ao Museu do Livro, obra de vida de um senhor judeu que conseguiu montar num espaço razoável uma maquete daquilo que seria a Cidade de Jerusalém nos dias do Messias Jesus.
 
É um trabalho impressionante, e visitar detalhadamente esta enorme maquete exactamente no final da visita é particularmente pedagógico e útil para, num espaço de meia hora, relembrar tudo aquilo que foi visitado nestes últimos dias.
O ponto principal da maquete é o Templo de Herodes, uma fantástica construção facilmente visível a partir de todos os pontos da cidade. Logo ao lado, a sumptuosa Fortaleza Antónia onde o nosso Mestre Jesus foi injusta e cruelmente julgado.
 
MUSEU DO LIVRO
Ainda que tenhamos visitado Qumran, em pleno deserto da Judeia, nada mais pudemos ver senão as ruínas da antiga cidade dos essénios e as grutas onde em 1947 foram encontrados os manuscritos do Mar Morto.
Eis que agora temos a oportunidade de ver neste museu alguns dos manuscritos originais ali encontrados - tanto textos da Bíblia hebraica, como textos relativos à vida em comunidade, e outros apocalípticos - e ainda alguns objectos em barro e metal que eram usados pelos membros daquela comunidade. Muito interessante verem-se tigelas, sandálias e até partes de tecidos muito bem conservados de há mais de 2 mil anos atrás!
 
YAD VASHEM - MUSEU DO HOLOCAUSTO
Fico sempre com pena do pouco tempo disponível para visitarmos este museu que lembra o terrível e revoltante sofrimento do povo judeu em meados do século 20.
Cerca de 6 milhões de judeus foram assassinados pelo regime nazi, apenas pelo "crime" de serem judeus. O museu alberga uma quantidade assinalável de objectos oriundos dos campos de morte existentes na Polónia e na Alemanha, desde roupas, sapatos, outros objectos pessoais dos judeus ali assassinados e incinerados, incluindo um pedaço do chão original do gueto de Varsóvia. Este museu recentemente remodelado e ampliado tem uma vasta colecção de filmes da época conseguidos aos russos e americanos, e que mostram aos visitantes as indescritíveis crueldades perpetrados pelos mandatários do regime nazi.
Visitar este museu é imprescindível para todos quantos querem tentar perceber o maior genocídio do século 20. Saliento "tentar perceber", porque não se conseguem realmente compreender todas as causas e motivos que levaram a esta página horrorosa da História. Ficamo-nos apenas pelo estudo das raízes do anti-semitismo, um mal tão antigo como a própria existência do povo judeu, e uma doença infelizmente incurável, que actualmente parece querer ressurgir em muitas partes do mundo actual.
 
O edifício do museu é cercado por uma vasta floresta onde milhares de árvores foram plantadas em memória dos "justos", aquelas pessoas não judias que salvaram do Holocausto alguns judeus, mesmo com prejuízo pessoal e até risco da própria vida.
Como portugueses e residentes em Portugal, não poderíamos deixar de prestar a nossa singela homenagem ao grande herói português Aristides de Sousa Mendes que, em 1943, salvou da morte cerca de 30 mil pessoas, a maioria judeus, concedendo-lhes num espaço de 48 horas os vistos que na sua condição de cônsul português em Bordéus (França) só ele poderia proporcionar.
O resultado deste nobre e louvável acto humanista foi a demissão forçada da sua posição de cônsul e a perda do salário e do emprego público, por ordens do ditador Salazar, levando o cônsul, juntamente com a sua numerosa família à miséria. Mesmo as 2 cartas comoventes enviadas por Aristides Mendes ao Núncio apostólico em Lisboa e dirigidas ao então papa Pio XII de nada serviram...
 
Para além do edifício principal, o espaço do Yad Vashem alberga ainda um Memorial às Crianças mortas no Holocausto (cerca de 1.5 milhões) e uma sala onde se pode ver a chama eterna no meio dos nomes dos vários campos de morte onde pereceram os 6 milhões de judeus.
Esta visita mereceria um mínimo de 8 horas, mas as quase 2 ali passadas já puderam proporcionar uma perspectiva ainda que ténue de toda esta tragédia, suas causas e consequências. Devemos muito ao conhecimento e capacidade de comunicação demonstrados pelo nosso guia Iuval Goldenberg, uma verdadeira enciclopédia viva nesta e noutras matérias. Não só conta o conhecimento demonstrado, como a forma em como o mesmo consegue ser transmitido.
Com raras excepções, ninguém sai dali indiferente.
 
E assim terminou esta maratona pela Terra de Israel. Tudo passou tão rápido...!
Era tempo de almoçar, trocar as últimas impressões, e correr para o aeroporto internacional de Ben Gurion. Os últimos abraços, beijos e saudações continham certamente muita emoção, mais ou menos contida ou expressa, mas sempre com a esperança de que em breve nos possamos rever. Sim, porque quando nos despedimos de Israel, só há uma expressão consentida: "Até ao ano que vem, em Jerusalém!"
 
Shalom, Israel!

sexta-feira, janeiro 27, 2017

"O ANTI-SEMITISMO ESTÁ VIVO E BEM ACTIVO" - DECLAROU ANTÓNIO GUTERRES NA ASSEMBLEIA GERAL DA ONU

Comemora-se hoje o "Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto".
A ONU realizou uma cerimónia especial para comemorar este dia dedicado à memória do Holocausto na Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. Um grande número de personalidades internacionais falou nesta reunião, incluindo Noah Kleiger, sobrevivente do Holocausto, e o actual secretário-geral da ONU, o português António Guterres.
Segundo Guterres, o Holocausto é "o ápice daquilo que hoje definimos como anti-semitismo. O anti-semitismo está sempre desejoso de regressar, e senhoras e senhores, ele já voltou. Os judeus estão hoje enfrentando uma situação de perda. O anti-semitismo está vivo e bem activo. Ainda vemos os efeitos do Holocausto, a tentativa para reescrever a História" - afirmou Guterres, acrescentando que "o ódio que começa com os judeus nunca acaba nos judeus. Precisamos de investir em educação, precisamos de fazer mais para proteger os direitos humanos. Estarei nas linhas da frente na luta contra o anti-semitismo. A melhor forma de respeitar as vítimas do Holocausto é lutar contra o anti-semitismo, e assegurar-nos de que as vítimas nunca sejam esquecidas."
Guterres afirmou ainda: "Será um erro perigoso pensar-se que o Holocausto é o resultado da insanidade de um grupo de criminosos nazis. Exactamente o contrário. O Holocausto foi o pináculo da criação de mil anos de ódio e descriminação contra os judeus. A História continua a avançar, mas o anti-semitismo continua a recuar. Há uma nova tendência para pessoas reescreverem a História do Holocausto."
 
NOAH KLEIGER, SOBREVIVENTE DO HOLOCAUSTO
O momento alto desta comemoração foi sem dúvida a intervenção do sobrevivente do Holocausto Noah Kleiger, que testemunhou: "Quando eu estava em Auschwitz, tinha 3 sonhos: sobreviver àquele inferno, contar ao maior número possível de pessoas aquilo que os nazis fizeram aos judeus, e ajudar os judeus a se instalarem na terra de onde foram expulsos. Os meus sonhos tornaram-se realidade, e Israel - o lar histórico da nação judaica - ressuscitou."
 
HOJE MESMO ESTIVEMOS NO MUSEU DO HOLOCAUSTO, EM JERUSALÉM
Por "coincidência" do programa, o nosso grupo de pastores passou esta manhã cerca de duas horas a visitar o Yad Vashem - Museu do Holocausto - na Cidade de Jerusalém, capital de Israel.
Este museu é dedicado à História do surgimento e desenvolvimento do nazismo nas suas perversas vertentes: a segregação dos judeus na Europa, a criação dos guetos, e a "solução final", levando a que cerca de 6 milhões de judeus fossem assassinados pelo único "crime" de serem judeus...
Desde o coração de Jerusalém, clamo com todas as minhas forças: que nunca mais se repita!
 
Shalom, Israel!
 

sábado, agosto 03, 2013

MUSEU DO HOLOCAUSTO EM JERUSALÉM (YAD VASHEM) CONSIDERADO O 4º MELHOR MUSEU DO MUNDO

O Museu do Holocausto em Jerusalém (Yad Vashem) foi considerado pelo prestigiado site de viagens TripAdvisor como o 4º melhor do mundo, dentro de um grupo dos 25 principais museus ´mundiais recomendados pelo famoso site.
O TripAdvisor é um site através do qual qualquer viajante e turista pode expressar as suas opiniões acerca de museus, hotéis, destinos turísticos, etc.

Segundo o site, os visitantes do Museu apreciaram e aplaudiram "os displays informativos ao longo do caminho" e "o incrível uso da arquitectura, audiovisual, fotos e itens reais para recriar um momento na história que nunca mais deverá acontecer," chamando-o de "experiência emocional, educativa e inspiradora", "uma experiência incrivelmente comovente", e que "é um passeio obrigatório" para qualquer visitante em Israel.

O TripAdvisor também concedeu ao YadVashem o "Certificado do Prémio de Excelência 2013", que é uma honra concedida a estabelecimentos que consistentemente alcançam excelentes avaliações dos visitantes. O Museu do Holocausto de Jerusalém (Yad Vashem) está alistado como o primeiro entre 146 locais recomendados para se visitar em Jerusalém.

Cerca de um milhão de pessoas visitam anualmente o Museu do Holocausto de Jerusalém, havendo visitas guiadas e em áudio em diversas línguas - hebraico, inglês, alemão, francês, espanhol, russo e árabe.

NOSSA PRÓXIMA VISITA AO YAD VASHEM
Este Museu fará parte da nossa visita a Israel, nesta nossa próxima excursão. Contamos estar lá na manhã do último dia da nossa estadia, 21 de Agosto. Tal como tem acontecido nestes últimos 23 anos em que ali temos acompanhado grupos, a experiência e a emoção ao visitar o Museu do Holocausto e o Memorial das Crianças é inesquecível e profundamente marcante.  Para o resto da vida.  

Se não pode ir este ano, não desanime! Contacte-nos já para receber em breve as informações sobre a excursão a Israel em 2014, já em preparação! Contacte-nos para o seguinte email:
viagens.shalom@gmail.com

Shalom, Israel!

quinta-feira, novembro 17, 2011

CRISTÃOS EVANGÉLICOS E JUDEUS RUSSOS JUNTAM-SE PARA DEDICAÇÃO DE MONUMENTO À MEMÓRIA DE 483 JUDEUS EXECUTADOS NA RÚSSIA PELOS ALEMÃES

Um monumento dedicado à memória dos 483 judeus executados pelos nazis alemães e seu párias em Novembro de 1941 na Rússia foi hoje inaugurado na localidade de Lubavichi, no distrito de Smolensk, Rússia.
Este projecto é o primeiro exemplo de sucesso da cooperação entre o Congresso Judaico Russo (CJR), o Centro Russo do Holocausto, e as comunidades Cristãs Evangélicas russas. É simbólico o facto de o monumento ser inaugurado no decurso da Semana Internacional para a Tolerância. 
Lubavichi foi um dos mais famosos centros do Judaísmo, albergando escolas religiosas cujos estudantes vieram a dirigir comunidades judaicas na Europa e nos Estados Unidos. Por isso mesmo os alemães destruíram os judeus locais com uma crueldade peculiar.
A execução teve lugar numa pequena ravina no território do matadouro local. Os judeus foram assassinados com um tiro na cabeça ou espancados com paus até à morte. As criancinhas foram enterradas vivas.
A comunidade judaica em Lubavichi existiu durante 3 séculos. A sua população inteira foi no entanto dizimada num só dia.
Durante muitos anos tudo que ali existiu era um rectângulo simbólico com uma estrela de cinco pontas, mas sem qualquer inscrição. Em 2002, estudantes russos e alemães erigiram ali um memorial.
O memorial agora inaugurado está integrado no projecto "Devolver a Dignidade" lançado pelo presidente do CJR Yuri Kanner.
A criação do memorial foi obra de um grupo de trabalho liderado pelo co-secretário do Centro Do Holocausto Russo, pelo supervisor científico do Museu do Holocausto e pelo director da Fundação "Ebenezer", Boris Vasyukov.
O complexo do memorial (da autoria do escultor Alexey Zamlely e do arquitecto Vladislav Kondrat'yev) inclui um monumento original que exibe cenas judaicas.
Milhares de Cristãos Evangélicos por toda a Rússia contribuíaram com os seus próprios meios para ajudar nos custos do planeamento e construção do memorial. Os Evangélicos deixaram uma inscrição numa placa de granito com as seguintes palavras: "Perdoem-nos".
O texto no monumento encontra-se em russo, inglês e hebraico, e apresenta a data e os detalhes da execução. Os nomes de 74 dos judeus assassinados foram certificados com a ajuda do Projecto do Yad Vashem (Museu do Holocausto em Jerusalém) sobre a documentação dos nomes dos judeus que pereceram durante o Holocausto na Rússia. Os seus nomes estão gravados em placas separadas.
A inauguração do memorial teve a presença dos líderes do distrito de Smolensk, judeus russos, organizações religiosas, juvenis e públicas e representantes dos corpos diplomáticos. Anastasia Polyakova, testemunha viva e contemporânea da tragédia em Lubavichi compartilhou como a execução teve lugar.
A oração de lamentação (Kaddish) foi recitada pelo rabino da sinagoga de Moscovo.
Nós não podemos mudar o passado, mas podemos trazê-lo à memória, como precaução contra as tendências actuais, em nada diferentes das de então...
Como diz o ditado judeu: "Os que esquecem o passado estão condenados a repetir os seus erros". Que assim não seja mais!
Shalom, Israel!