Na sua primeira intervenção na TV desde o início dos protestos generalizados por todo o Irão e que já vão no 13º dia, o cruel ditador aiatolá Khamenei, supremo líder do regime que tem oprimido o país ao longo de décadas, veio afirmar que a república islâmica "não cederá" diante dos protestantes os quais chamou de "vândalos" e "sabotadores".
Khamenei acusou ainda o presidente Donald Trump de ter as mãos "manchadas com o sangue de mais de mil iranianos", e previu que o "arrogante" líder dos EUA vai ser "derrubado" tal como foi a dinastia imperial que governou o Irão até à revolução islâmica de 1979.
O sanguinário líder acusou os manifestantes de agirem a favor de Trump, dizendo que os arruaceiros andavam a atacar propriedades públicas, avisando ainda que Teerão não irá tolerar gente que age como "mercenários por conta de estrangeiros."
"Ontem à noite, em Teerão, um punhado de vândalos e arruaceiros vieram e destruíram um edifício que pertence ao estado, ao próprio povo, apenas para agradar ao presidente dos Estados Unidos" - acusou o líder supremo iraniano, acrescentando que o Trump deve é "cuidar do seu próprio país."
Os protestos, que se iniciaram por causa do disparar da inflação no país durante o mês passado, progrediram até se tornarem nas maiores manifestações dos últimos 3 anos, com distúrbios registados em todas as províncias e grupos de direitos humanos informando da morte de mais de 50 pessoas.
As facções da oposição no exterior estão entretanto a apelar a mais protestos para esta noite, ao mesmo tempo que Reza Pahlavi, o filho do último xá entretanto exilado, comunicou aos iranianos nas redes sociais que "os olhos do mundo estão sobre vocês. Avancem para as ruas." Pahlavi apelou entretanto há pouco ao presidente Trump para que intervenha: "Sr. Presidente, este é um apelo urgente e imediato à sua atenção, apoio e acção" - pediu o líder exilado na região de Washington, acrescentando: "Por favor prepare-se para intervir para ajudar o povo do Irão."
Imagens divulgadas na TV estatal durante a madrugada mostraram aquilo que se alega serem autocarros em chamas, para além de carros, motociclos, e estações de metro e bancos também em chamas. Um repórter estatal posicionado diante das chamas na cidade portuária de Rasht, afirmou que aquilo parecia "uma zona de guerra, com todas as lojas destruídas."
O Irão tem assistido no passado a grande manifestações de protesto, só que agora o povo enfrenta um grave crise económica, para além da intensificação da pressão internacional com as sanções globais provocadas pelo restabelecimento do programa nuclear iraniano em Setembro. Enquanto os primeiros protestos se focavam na crise económica, com a moeda nacional a desvalorizar 50% face ao dólar durante o ano passado e a inflação a galopar até aos 40% em Dezembro, aquilo a que se assiste agora é também a slogans direccionados contra o próprio governo.
Os protestantes têm gritado slogans como "Morte ao ditador", e palavras de elogio ao antigo regime deposto pela revolução islâmica em 1979.
DISPAROS CONTRA MANIFESTANTES
Estão a chegar relatos de disparos contra a população na cidade sunita de Zahedan, no sudeste do Irão, onde centenas de manifestantes têm-se reunido para contestar o regime, com palavras de ordem, tais como "Esta é a batalha final, Pahlavi vai voltar!" Há notícias de várias pessoas feridas pelos disparos efectuados perto de uma mesquita onde as pessoas se tinham juntado para rezar.
APAGÃO GERAL DA INTERNET
Desde ontem que está a vigorar um apagão geral no país, com a internet e os telefones sem funcionar. O regime ditatorial tenta assim evitar que as imagens das gigantescas manifestações cheguem ao exterior, ao mesmo tempo que tenta impedir a comunicação entre os manifestantes.
UMA INCÓGNITA
A situação no Irão é muito grave e preocupante. A menos que estas manifestações consigam derrubar o actual governo - algo quase impossível - a tendência das ditaduras em casos assim é endurecer e trazer ainda mais opressão sobre as populações. Só o tempo o dirá...
Shalom!

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