Querendo liderar o processo de paz entre israelitas e palestinianos para a Faixa de Gaza, e iniciando formalmente a segunda fase do acordo por ele programado, o presidente Donald Trump veio agora formar um "Conselho de Paz" que ele próprio presidirá, e que incluirá o antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair, o seu secretário de estado Marco Rubio, o enviado especial norte-americano Steve Witkoff, e ainda Jared Kushner, genro do presidente, e o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga.
Este "Conselho de Paz" irá supostamente liderar um comité palestiniano de tecnocratas, que se espera seja tecnocrata, temporário e apolítico, e que inicia hoje os seus trabalhos.
"O Conselho de Paz desempenhará um papel essencial no cumprimento dos 20 pontos do plano presidencial, proporcionando supervisão estratégica, mobilizando recursos internacionais e garantindo a responsabilização à medida que Gaza transita do conflito para a paz e o desenvolvimento" - refere um comunicado da Casa Branca.
"Para concretizar a visão do Conselho de Paz sob a presidência Trump, foi formado um conselho executivo fundador composto por líderes nas áreas da diplomacia, desenvolvimento, infraestruturas e estratégia económica."
Para além de Blair, Rubio, Witkoff e Kushner, integra também o Conselho Robert Gabriel, vice-conselheiro de segurança nacional norte-americana. O bilionário norte-americano Marc Rowan também fará parte deste Conselho.
Segundo refere a Casa Branca, cada um dos nomeados irá supervisionar "uma pasta definida, crucial para a estabilização e o sucesso a longo prazo de Gaza, incluindo, entre outros, o desenvolvimento, a governação, as relações regionais, a reconstrução, a atracção de investimento, o financiamento em grande escala e a mobilização de capital."
Um comité tecnocrático composto por 15 personalidades palestinianas deverá administrar provisoriamente o território, sob a tutela do "Conselho de Paz."
Este plano foi aprovado em Março passado com o apoio de países europeus, e prevê a reconstrução da Faixa de Gaza sem deslocar os seus mais de 2 milhões de habitantes.
O mais importante neste momento é a habitação, uma vez que uma grande percentagem das casas ficaram total ou parcialmente destruídas com a guerra. Prevê-se também o total desarmamento do Hamas, a retirada progressiva das forças israelitas, e o destacamento de uma força internacional de estabilização.
ISRAEL REAGE NEGATIVAMENTE A ALGUMAS NOMEAÇÕES
Numa rotura com o plano de Trump, o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu reagiu ao anúncio da formação do "Conselho de Paz", alegando que o seu comité executivo "não foi coordenado com Israel e contradiz a sua política."
O comité executivo inclui elementos do Qatar e da Turquia, dois países altamente críticos à postura de Israel na Faixa de Gaza.
MAIS CONVIDADOS
Sabe-se entretanto que Trump convidou o actual primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, para se juntar ao Conselho, e que este tenciona aceitar.
O convite foi também estendido ao actual presidente da Argentina, Javier Milei, tendo este declarado ser "uma honra" participar na iniciativa presidida por Trump.
O actual presidente do Egipto Abdel-Fattah el-Sissi foi também convidado pelo presidente norte-americano, estando o convite em "análise".
Mas a controvérsia pior com estes convidados surge com o convite feito por Trump ao presidente turco Recep Erdogan, um declarado inimigo de Israel, que tem sistematicamente rejeitado qualquer envolvimento turco em Gaza.
Só o tempo dirá no que tudo isto vai dar, mas de uma coisa estamos certos: não será nada fácil gerir todos estes interesses e ambições de Trump. E Israel não pode nem deve ficar de fora deste Conselho, uma vez que é uma das partes mais interessadas na resolução do conflito com os palestinianos.
Shalom, Israel!

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