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quarta-feira, fevereiro 12, 2025

DESMENTINDO A LIGAÇÃO ENTRE O SURGIMENTO DE POÇOS DE ÁGUA DOCE NO MAR MORTO E AS PROFECIAS


Nestes últimos anos têm surgido muitas especulações acerca do aparecimento contínuo de poços de água doce nas margens do Mar Morto, dando-se até conta da existência de minúsculos peixes, algo completamente inviável nas águas extremamente salgadas do grande lago conhecido como Mar Morto, ou Lago Salgado - o ponto mais baixo de todo o planeta terra. 


Este fenómeno das assim chamadas "bolaines" (ou "sinkholes" no inglês) que têm estado a surgir a uma quantidade assustadora é de facto um fenómeno natural, fruto do recuo e evaporação permanente das águas do Mar Morto, a uma média de 1 metro por ano. De facto, desde há 34 anos que visito o Mar Morto, tenho reparado no grande abaixamento do nível das águas do mesmo ano após ano. Para nos divertirmos nas águas onde ninguém afunda temos agora de descer a uma profundidade cada vez maior, e isso é fácil de notar por quem regularmente visita aqueles locais paradisíacos. 

Muitas pessoas têm-me perguntado se este fenómeno será já o cumprimento da profecia de Ezequiel 47, pelo que tentarei esclarecer de forma simples e clara a não existência de qualquer relação entre uma coisa e outra. 


UM FENÓMENO NATURAL

Esta situação é no entanto nada mais do que um fenómeno geológico natural, também observado em outros países, e que neste caso tem a ver com a dissolução do sal, provocando a formação de sumidouros e o surgimento de fontes de água doce que se sabe existirem no fundo do Mar Morto. Há de facto fontes com centenas de metros de largura e até 30 metros de profundidade. As nascentes de água doce irrompem assim do fundo do Mar através de crateras que se vão abrindo com a evaporação da água salgada. Essas crateras são consideradas perigosas, pois podem afundar a qualquer momento, tendo-se registado pelo menos um caso de um "curioso" que ali se afundou sem nunca mais ter sido encontrado o seu corpo. Essas crateras surgem a cada dia e podem atingir 15 metros de diâmetro e 20 de profundidade.


Resumindo: trata-se unicamente de um puro fenómeno natural com fácil explicação científica.

 A PROFECIA DE EZEQUIEL 47

Muito se tem especulado acerca da ligação deste fenómeno com a profecia de Ezequiel 47, alegando-se que o mesmo é o cumprimento dessa profecia relacionada com as águas vivas que descerão até ao Mar Morto e o purificarão. Até uma muito popular guia brasileira residente em Israel caiu nesse disparate, causando-me imenso espanto, uma vez que os vídeos dela transmitem informação normalmente bem sólida e comprovada...Contudo, o que realmente importa nesta postagem é desmontar essa especulação e desmentir qualquer ligação desse fenómeno à profecia de Ezequiel. 

Tudo se resume à ignorância e à falta de conhecimento e discernimento bíblicos, quiçá até à precipitação com que alguns querem "forçar" a todo o custo o cumprimento das profecias do Antigo Testamento. Só que as profecias têm de ser interpretadas dentro do seu contexto, e não é isso que infelizmente muitos estão a fazer...

Às vezes questiono-me por que é que as pessoas não vão simplesmente ler a Bíblia, em vez de andarem a dar ouvidos a especulações gratuitas, infundadas e desprovidas de qualquer respaldo bíblico...!

Qualquer conhecedor das Escrituras proféticas perceberá com facilidade que a descrição profética de Ezequiel sobre o "rio do santuário" tem a ver com o tempo do Reino Milenar do Senhor Jesus Cristo, quando Ele já estiver sentado no Seu trono em Jerusalém, portanto num tempo que ainda há de vir. 


O QUE É QUE O TEXTO REALMENTE DIZ...

O texto de Ezequiel 47 descreve águas vivas que sairão do Templo de Jerusalém - algo que ainda não existe, estando reservado para o porvir - e que formarão um grande rio que descerá pelas montanhas da Judéia, com águas profundas, ao ponto de terem de ser passadas a nado, e que será ladeado em ambas as margens por frondosas árvores. Essas árvores que ali serão vistas nesse tempo futuro terão folhas permanentes que "servirão de remédio" e produzirão "novos frutos" durante todo o ano, porque as suas águas "saem do santuário." Esse rio será tão puro e saudável, que produzirá peixes em grande abundância e ali serão encontrados pescadores, especialmente na região de En-Gedi, sendo a qualidade do peixe ali encontrado descrita como semelhante à do peixe do Mar Mediterrâneo, "em multidão excessiva", portanto em grande quantidade.


O profeta Zacarias (14.8) também revela a existência desse rio para o tempo do retorno do Messias Jesus, profetizando que essas águas vivas "correrão de Jerusalém, metade delas para o Mar Oriental (Mar Morto) e a outra metade até ao Mar Ocidental (Mar Mediterrâneo)."

A revelação profética no Apocalipse de João também revela a existência futura de um "rio de água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro." (Apocalipse de João 22.1).

REALIDADE ACTUAL

Qualquer pessoa que hoje visite Israel e aquela região desértica perceberá de imediato que nada dessa maravilhosa realidade está ainda visível, sendo aquela pelo contrário uma região seca e desértica, com muito pouca água e escassa chuva. Sem dúvida que está comprovada a existência de grandes reservas de água subterrânea nas profundezas da Cidade de Jerusalém, prevendo-se que poderá ocorrer um rompimento das mesmas através de uma mudança geológica na cidade tal como anunciado pelos profetas, e, estando Jerusalém a cerca de 760 metros de altura, é mais do que natural que essas águas "puras" escorram pelas montanhas da Judeia, até ao oásis de En-Gedi e dali até ao Mar Morto, a mais de 400 metros abaixo do nível das águas do mar, trazendo "cura e saúde" às águas do Mar Morto, que se tornarão férteis e saudáveis (Ezequiel 47.7 - 12). 

Fica assim esclarecido o "fenómeno" que se regista nos dias actuais. É um acontecimento natural, sem incidências proféticas. Qualquer ligação desses fenómenos geológicos às profecias relacionadas com o tempo da Vinda do Messias a Israel para estabelecer o Seu Reino Milenar é mera especulação, um abuso da correcta interpretação bíblica e uma gritante ignorância das Escrituras, devendo por isso ser evitada a todo o custo.

Shalom, Israel!

quinta-feira, março 28, 2019

LOCALIZADAS EM ISRAEL AS MAIORES GRUTAS DE SAL DO MUNDO

Ainda que estando a ser escavadas há vários anos por uma equipa internacional, as boas notícias é que se confirmou agora que as grutas de sal de Malcham, perto da região sul do Mar Morto conhecida como "Sodoma", são as mais extensas do mundo, com um comprimento de mais de 10 quilómetros.

Foram 80 os peritos internacionais de 9 países que anunciaram esta "vitória" israelita: a gruta situada num gigantesco rochedo de sal conhecido como "Monte Sodoma" tem uma extensão de cerca de 11 quilómetros, batendo o anterior recorde de 6,5 quilómetros de uma gruta localizada no Irão.
Os espeleólogos descartam qualquer ligação política ao assunto, não menosprezando a enorme gruta iraniana, considerando até que se trata de uma competição saudável e não-política, "uma boa motivação para ambos os países."

FORMAÇÃO
A gruta de sal Malcham é formada pelas correntes de água de Inverno que penetram pelas rachadelas das rochas exteriores que cobrem o Monte Sodoma. Estas inundações levam a água a penetrar pelas brechas e dissolver o sal, formando como consequência um rio subterrâneo que percorre as rochas de sal e que desagua no Mar Morto. 
Quando a água drena, fica uma enorme gruta aberta naquele espaço.
As grutas de sal são raras, formando-se em condições especiais e encontram-se especialmente em desertos com grandes rochedos de sal formados pela evaporação da água do mar e sedimentadas. 
As três principais regiões do mundo onde se podem encontrar este tipo de grutas são o deserto do Atacama, no Chile, a ilha Qeshm, no Irão, e o Mar Morto, em Israel. Também se podem encontrar outras, de menor dimensão, no Egipto, Jordânia, Paquistão, e Polónia.

GRUTAS "BÉBÉS"
Segundo os geólogos, as grutas de Malcham são ainda "bébés", calculando-se que tenham cerca de 7.000 anos. Ao contrário das grutas de pedra mármore, que levam muitos milhares de anos na sua formação, as impressionantes estalactites destas grutas de sal crescem a uma velocidade rápida: cerca de meio metro por ano.
Só na região do Monte Sodoma existem umas 150 grutas pequenas, mas nenhuma se compara em extensão à de Malcham. O sal desta gruta é considerado quase 100% puro, e as estalactites formam impressionantes imagens naturais, e algumas das maiores aberturas dentro das grutas assemelham-se a pequenas catedrais. Uma das grutas recebeu o nome de "Tábuas de Moisés", devido à existência de duas grandes pedras que se assemelham às tábuas da Lei recebidas por Moisés. 


PERIGOSAS PARA VISITAS NÃO GUIADAS 
Apesar de não estarem vedadas ao público, a visita às grutas oferece perigos de vária ordem para quem as queira visitar sem se fazer acompanhar de um guia. As grutas são complicadas, confusas, interligadas e com muitos acessos para subir e descer. É natural que as autoridades venham a desenvolver algum "trilho" mais seguro e viável para o turista comum.

Shalom, Israel!



quinta-feira, novembro 22, 2018

NOVAS COMPROVAÇÕES CIENTÍFICAS DA DESTRUIÇÃO DE SODOMA E GOMORRA

Uma equipa multi-disciplinar de cientistas fizeram uso das evidências de há 3.700 anos do projecto extraído das escavações em Tall el-Hammam, na Jordânia, para a compreensão do fim abrupto da civilização na região do actual Mar Morto.
Segundo a convicção destes cientistas, e as evidências comprovadas pela arqueologia local, o desastre de proporções bíblicas que destruiu as cidades da região ocorreu devido a uma explosão massiva semelhante à ocorrida há 100 anos na Rússia.
Decorria o ano de 1908 quando uma explosão massiva perto do rio siberiano Stony Tunguska arrasou por completo cerca de 2 mil quilómetros quadrados de floresta inabitável da Sibéria. Nenhuma cratera foi curiosamente encontrada na zona, levando os cientistas a explicarem o estranho fenómeno através de uma explosão de um meteoro a uns 5 ou 10 quilómetros acima do terreno.

UM METEORO PENETROU NOS CÉUS DA RÚSSIA,
NAS MONTANHAS DOS URAIS, EM FEVEREIRO DE 2013,
PROVOCANDO VIOLENTAS EXPLOSÕES E FERINDO
CENTENAS DE PESSOAS, INCLUINDO MUITAS ATINGIDAS
COM O ESTILHAÇO DOS VIDROS
Esta equipa de cientistas veio agora usar este exemplo da explosão na Rússia como modelo para explicarem o igualmente enigmático término de uma civilização florescente que viveu durante milhares de anos nos vales do Mar Morto.
Segundo os relatos publicados recentemente na revista científica "Science News" pelo arqueólogo responsável das escavações na Jordânia, os cientistas descobriram evidências de um evento explosivo de "intenso calor" a Norte do actual Mar Morto e que "devastou instantaneamente cerca de 500 quilómetros quadrados." A explosão teria feito desaparecer por completo todas a forma de civilização na área afectada, incluindo as cidades e vilas da Idade Média do Bronze. Segundo os cientistas, esta explosão teria morto instantaneamente as cerca de 40.000 - 65.000 pessoas que habitavam na Média Ghor, um planalto circular na Jordânia com um raio de 25 quilómetros.
Para além disso, o solo fértil teria sido roubado dos seus nutrientes devido à intensidade do calor e às ondas do Mar Morto carregadas de sais que teriam varrido toda a região num verdadeiro tsunami. A intensa explosão teria por outro lado provocado ventos fortes e muito quentes que teriam depositado uma chuva de grãos de minério encontrados nas cerâmicas achadas nas escavações de Tall el-Hammam. 
Foram já escavadas na região cindo grandes cidades na mesma região que apresentam as mesmas evidências de um brusco fim da existência de vida ocorrido ao mesmo tempo daquele verificado no desastre em Tall el-Hammam. Segundo a "Science News", a datação do radio-carbono da evidência orgânica arqueológica comprovou que as estruturas das "paredes de tijolos de barro desapareceram subitamente há 3.700 anos, deixando apenas as fundações em pedra."

Segundo o arqueólogo responsável pelas escavações na Jordânia, Phillip Silvia, a intensidade do calor produzido pela explosão deverá ter sido "tão alta como a da superfície do sol."

600 ANOS PARA RECUPERAR
"Com base na evidência arqueológica, terão sido necessários pelo menos 600 anos para recuperar suficientemente da destruição e da contaminação do solo antes que a civilização pudesse novamente ser estabelecida na região oriental da Média Ghor" - afirmam os cientistas.

UMA EXPLICAÇÃO BÍBLICA
Poderá esta explosão massiva explicar a história bíblica da destruição de Sodoma e Gomorra?
Segundo um artigo publicado em 2013 pelo Dr. Steven Collins na "Biblical Archeology Review", o sítio arqueológico de Tall el-Hammam é um forte candidato à localização da cidade bíblica de Sodoma, e isso devido a um número de factores: A revelação do desastre e a sua localização exacta, que ele liga às referências bíblicas de "ha-kikkar" (a campina).
Entre outras citações bíblicas referidas no seu artigo, o Dr. Collins cita Génesis 19:24-25: "Então fez o Senhor chover enxofre e fogo, da parte do Senhor, sobre Sodoma e Gomorra. E subverteu aquelas cidades e toda a campina, e todos os moradores das cidades, e o que nascia da terra."
O Dr. Collins pôde testemunhar em primeira mão tão grande destruição no pleno local do sítio arqueológico. Ele escreveu, numa descrição viva: "A conflagração violenta que acabou com a ocupação de Tall el-Hammam causou o derretimento da cerâmica, fundiu as pedras das fundações, provocando metros de cinzas e de entulho enegrecidos."
Teria esta destruição das cidades bíblicas sido causada pela explosão de um meteoro e sua catastrófica queda, como causas naturais da aniquilação divina que arrasou a totalidade desta cidade mencionada na Bíblia?
Segundo estes cientistas, "a evidência física de Tall el-Hammam e das cidades circunvizinhas apresenta sinais de um evento térmico concussivo altamente destrutivo que se pode deduzir das descrições narradas em Génesis 19."
CRATERA NO ARIZONA (EUA) PROVOCADA PELO IMPACTO
DE 10 BILIÕES DE MEGATONS  POR UM METEORO, E QUE FEZ
DESLOCAR 300 MILHÕES DE TONELADAS DE PEDRA. A CRATERA
TEM 200 METROS DE PROFUNDIDADE E 5 QUILÓMETROS
DE CIRCUNFERÊNCIA
Tendo como base estudos feitos pelo pesquisador da energia atómica Samuel Gladstone, os autores do artigo escreveram que "uma explosão de ar de 10 megatons sobre o canto oriental do Mar Morto seria suficiente para produzir os estragos físicos observados a 10 kms, em Tall el-Hammam. Note-se que isto é apenas uma metade da energia produzida com a explosão de ar em Tunguska (na Sibéria), bem próximo da "recente" experiência humana com explosões de ar causadas por meteoritos."
"A destruição, não só de Tall el-Hammam (Sodoma), mas também das suas cidades vizinhas (Gomorra e outras cidades da campina) foi provavelmente provocada por uma explosão de ar causada por um meteorito" - concluem os autores do artigo.

Mais uma vez, a Bíblia ao serviço da ciência, e não o contrário...

Shalom, Israel!

quarta-feira, setembro 05, 2018

CRÓNICAS DE UMA MEMORÁVEL EXCURSÃO A ISRAEL - 4ª Parte

27 DE AGOSTO DE 2018

Quem nunca viu o deserto ficará certamente impressionado com a imensidão, silêncio e contraste que a vista do deserto da Judeia proporciona: é um espaço muito montanhoso, com muito pouca água e vegetação, extremamente seco, muito quente durante o dia e frio à noite, lugar de abrigo dos beduínos e seus rebanhos, dos répteis e de algumas das raras espécies de animais que por ali vão procurando o seu refúgio.
O deserto da Judeia é por diversas vezes referido nas narrativas bíblicas, desde as travessias dos patriarcas por aquelas bandas, às dramáticas fugas do futuro rei David face às ameaças de morte do rei Saul e que o levaram a refugiar-se nas grutas de Ein Gedi, e, nas páginas do Novo Testamento, através do ministério profético itinerante e extremamente ascético de João Baptista.
 

MASSADA
O último bastião judeu ingloriamente conquistado pelos exércitos romanos foi a montanha de Massada, em pleno deserto da Judeia e próxima ao Mar Morto, onde, após 3 anos de cerco e infrutíferos ataques, os soldados romanos construíram uma rampa que lhes permitiu o acesso a esta fortaleza construída pelo rei Herodes e praticamente inexpugnável, dando conta que os 960 judeus ali resistentes tinham preferido morrer pela sua honra - num horripilante exercício de suicídio colectivo - do que entregarem-se aos invasores romanos. Estava-se no ano 73 d.C., já Jerusalém e o seu Templo haviam sido arrasados pelos cruéis soldados romanos.
Esta foi uma história que chocou o mundo e que ainda hoje leva os pára-quedistas israelitas a proferirem no seu juramento de bandeira no cimo da fortaleza de Massada: "Massada nunca mais cairá!"
A subida ao cimo da fortaleza é feita por um espaçoso teleférico, e a taxa de esforço para esta visita às ruínas é baixa, compensada mesmo assim pela vasta visão que se consegue de toda a planície do Mar Morto e das montanhas de Moabe, do outro lado do mar, no actual território da Jordânia.

No cimo desta montanha podemos visitar o que resta do grande palácio de Inverno que o rei Herodes ali mandou construir, conhecendo-se ainda uma das salas de banhos "turcos" onde a sua família podia desfrutar de todos os prazeres carnais correspondentes à posição social que ocupavam.
Podem-se ainda ver com extrema nitidez as marcas dos acampamentos romanos, em forma de quadrado, e a rampa que permitiu aos romanos invadir o bastião judeu.
Para além das cisternas, celeiros, armazéns e mikvés (tanques para os banhos rituais), pudemos ainda entrar nas ruínas de uma antiga igreja cristã bizantina, e observar algumas das pedras que foram utilizadas pelos romanos para derrubar as muralhas desta fortaleza.

EIN GEDI
A mudança no deserto seco e quase insuportável chama-se "oásis". A palavra em si já revela a diferença entre deserto e um espaço fértil onde se pode encontrar água fresca, daí a presença da vegetação, arvoredo e frondosas tamareiras. Parar e descansar num oásis é de facto uma alegria e conforto para os caminhantes que outrora percorriam as imensidões desérticas a pé, ou montados nos seus camelos ou cavalos. 
EIN GEDI é um lugar paradisíaco, onde podemos descansar à sombra das tamareiras, caminhar pelos trilhos que nos levam a belíssimas e refrescantes cascatas, e encontrar animais raros e cuja presença atrai a atenção imediata das nossas câmaras de fotografar.
Ali se escondeu David quando perseguido pelo rei Saul (1 Samuel 24), e tanto o oásis como os seus vinhedos são mencionados por Salomão no seu Livro de Cantares (1:14).
 
O grupo dos 59 excursionistas conseguiu caminhar até à "primeira estação", ou seja: a primeira cascata visível no trilho e que levou a que alguns não resistissem a entrar na água e refrescar os seus corpos com aquelas águas nascidas literalmente no deserto, e que certamente serviram também de refrigério ao rei David e a muitas outras personagens bíblicas que por ali andaram.
O elevado calor e o cansaço já visível no grupo impediu-nos de arriscar a "segunda estação", onde encontraríamos a segunda cascata, já bem maior, mas acessível apenas aos mais ousados, uma vez que o trilho é bastante irregular e montanhoso, requerendo um elevado esforço que achámos por bem não exigir aos nossos companheiros de viagem.
 
QUMRAN
Com tanto desgaste calórico, as cabeças já não conseguiam pensar noutra coisa que não no merecido repasto. Atendendo a essa solicitação visível nos olhares carentes dos nossos companheiros de viagem - com a qual nos identificámos sem reservas - decidimos encurtar a visita às ruínas de Qumran ao essencial. De facto, Qumram não tem muito para ver. A grande atracção são as grutas onde em 1947 foram encontradas "por casualidade" as ânforas que continham um dos maiores tesouros da História: nada mais nada menos que os famosos manuscritos do Mar Morto, muitos deles com trechos inteiros de livros do Antigo Testamento! Logo essa descoberta despertou a cobiça mundial, sendo até hoje ainda motivo de conflitos legais entre as autoridades israelitas detentoras destes preciosíssimos manuscritos e os palestinianos, que - conforme lhes é habitual - nada fizeram pela cultura, mas sempre se acham senhores do respectivo património...
A descoberta dos manuscritos do Mar Morto foi sem dúvida a maior de toda a ciência arqueológica em todo o século 20, ocorrendo num ano repleto de significado para o povo judeu, o mesmo em que as Nações Unidas aprovaram a partição da Palestina entre 2 povos, o judeu e o árabe.
Em Qumran viveu durante algum tempo uma comunidade de judeus fundamentalistas, os essénios, que ali praticaram uma vida comunitária austera e extremamente religiosa, em contraponto àquilo que julgavam ser a decadência da vida religiosa em Jerusalém.
Tal era a austeridade e a rígida disciplina vividas naquela comunidade, que muitos julgam ter sido possível o profeta João Baptista ter por ali passado e até vivido durante um curto espaço de tempo.
Apesar do calor, pudemos visitar algumas das ruínas dos armazéns, do escritório onde os essénios se dedicavam à cópia dos manuscritos do Antigo Testamento, as cisternas, os mikvés, etc.
 
MAR MORTO
Este mar, referido na Bíblia como "mar salgado" está situado no ponto mais baixo da terra, a mais de 423 metros abaixo do nível das águas do mar.
A sua extrema salinidade (com 8 vezes mais sal que os oceanos) e a presença de inúmeros minerais e fosfatos nas suas águas permite que o visitante não afunde, antes consiga sem qualquer esforço boiar à sua superfície. Milhões de turistas ali se deslocam anualmente para experimentar este fenómeno, mas também para se untarem com a lama preta ali encontrada por todo o lado - uma lama terapêutica, cujos efeitos são reconhecidos para tratamentos de doenças de pele, como a psoríase e outras. Milhares de utentes deslocam-se ao Mar Morto anualmente para estes mesmos tratamentos com resultados verdadeiramente assombrosos nos seus variados spas.
Do Mar Morto são extraídos produtos benéficos para a saúde, encontrados à venda por todas as lojas de Israel e da Jordânia, país que divide a bênção deste mar com Israel.
Descer e flutuar nas águas do Mar Morto é uma "obrigação" para todo o visitante, pelo que a grande maioria dos nossos excursionistas não se fizeram de rogados, e aproveitaram aquela hora concedida nomeio daquela tarde para experimentarem a realidade das águas e divertirem-se à custa das imagens produzidas por corpos untados de lama preta e capazes de flutuar sem esforço à superfície daquelas paradisíacas águas.

DE VOLTA A JERUSALÉM
Mas a nossa casa era Jerusalém. E foi a Jerusalém que subimos, fascinados e deleitados com o relaxamento físico e mental produzidos por aquelas águas. 

Continua...


quinta-feira, julho 13, 2017

ENVIADO DE TRUMP A ISRAEL ANUNCIA ACORDO ENTRE ISRAELITAS E PALESTINIANOS PARA UMA CONDUTA DE ÁGUA DO MAR VERMELHO PARA O MAR MORTO

Na sua primeira conferência de imprensa realizada hoje em Jerusalém, Jason Greenblatt, o enviado do presidente norte-americano Donald Trump, anunciou estar "orgulhoso" pelo papel que os EUA desempenharam no esboço de um acordo que incluirá a construção de uma conduta com quase 200 kms de extensão e que transportará água desde o Mar Vermelho até ao Mar Morto e ainda a construção de uma estação de dessalinização em Aqaba.
Questionado sobre o processo de paz, Greenblatt respondeu apenas: "Só aceitamos questões relacionadas com o projecto do Mar Vermelho."
Este acordo irá permitir fornecer água potável à Jordânia, aos palestinianos e a Israel, permitindo também a revitalização do Mar Morto, cujas águas vão descendo de nível a cada ano que passa. Israel concordou em aumentar o volume de água vendida aos palestinianos, dos actuais 20, para 30 milhões de metros cúbicos por ano.
O projecto orçamentado em cerca de 900 milhões de dólares levará 4 a 5 anos para ser concretizado.
A estação de dessalinização produzirá anualmente cerca de 80 milhões de metros cúbicos de água potável, sendo que Israel comprará à Jordânia metade dessa produção ao preço de custo.
Israel já exporta água para a Autoridade Palestiniana, mas passará a aumentar as vendas para cerca de 33 milhões de metros cúbicos anuais, sendo 22 milhões para a Judeia e a Samaria, e os outros 10 para a Faixa de Gaza.
"Esperamos que este acordo contribua para a cura do Mar Morto, e que venha a ajudar não só os palestinianos e os israelitas, mas também os jordanos" - afirmou radiante o enviado norte-americano.
E, num tom claramente positivo quando não profético, Greenblatt acrescentou: "Estou orgulhoso pelo papel que os Estados Unidos e os nossos parceiros internacionais desempenharam em ajudar as partes a chegarem a este acordo, e espero que seja um sinal de coisas que aí virão."
A ideia de abrir um canal entre o Mar Vermelho e o Mar Morto já vem do tempo dos britânicos, em 1850, como alternativa ao Canal de Suez.

Shalom, Israel!


segunda-feira, março 13, 2017

A BELEZA DO MAR MORTO VISTA DO ESPAÇO

Belas fotos do Mar Morto foram há dias divulgadas pelo astronauta francês Thomas Pesquet, mostrando a beleza deste idílico lugar, o mar situado no ponto mais baixo de todo o planeta. Para o astronauta, estas imagens foram de "cortar a respiração."
Não é de admirar. O Mar Morto - o bíblico "Mar Salgado" - é único no mundo. Tem uma salinidade 10 vezes superior a qualquer outro mar salgado, e a impressionante quantidade de minerais e fosfatos faz dele uma incomensurável riqueza cobiçada por muitos.

As características deste Mar permitem que ninguém se afunde no mesmo. À medida que se vai entrando na água hiper-salgada, o corpo vai automaticamente sendo impulsionado para cima, levando a que a pessoa flutue sem qualquer dificuldade. É portanto o melhor lugar para quem não sabe nadar...
Usando o twitter, o astronauta divulgou as fotos do Mar Morto, com a seguinte mensagem: "O Mar Morto, o lugar mais baixo da terra, mas certamente não o menos belo."

Pesquet foi enviado para o espaço pela "Estação espacial Internacional" no passado mês de Novembro juntamente com outros 2 astronautas, um norte-americano e um russo, devendo regressar à terra no mês de Maio.
Em todas as nossas excursões a Israel, a visita e banhos no Mar Morto são um ponto obrigatório e muito apreciado pelos nossos companheiros de viagem!

Shalom, Israel!

sexta-feira, fevereiro 27, 2015

ISRAEL E JORDÂNIA ASSINAM ACORDO PARA LEVAR ÁGUA DO MAR VERMELHO PARA O MAR MORTO

Após meses e meses de negociações, foi ontem finalmente assinado um acordo entre as duas nações vizinhas - Israel e a Jordânia - para combater a preocupante escassez de água na região, especificamente no Mar Morto, cujo nível das águas desce cerca de um metro por ano.
Segundo a agência noticiosa jordana "Petra", o acordo agora assinado abrange a "execução da primeira parte" de uma carta de intenções assinada já em Dezembro de 2013, em Washington, entre representantes de Israel, Jordânia, e da Autoridade Palestiniana, com a intenção de salvar o Mar Morto, que corre o risco de simplesmente desaparecer em 2050, se não até antes.
O acordo prevê a construção de um bombeamento anual de 300 milhões de metros cúbicos de água desde o Mar Vermelho até ao Mar Morto.
Parte daquela água deverá ser canalizada através de quatro condutas para o Mar Morto. Outra parte será para dessalinizar e repartir entre Israel e a Jordânia. Os palestinianos receberão também 30 milhões de metros cúbicos de água por ano.
Segundo Silvan Shalom, ministro israelita para a Cooperação regional, "Esta cooperação construtiva entre Israel e a Jordânia vai permitir ajudar a reabilitar o Mar Morto e a criar uma solução para a falta de água na Jordânia e no sul de Israel."

Shalom, Israel!

quinta-feira, janeiro 17, 2013

ÁGUAS DO MAR MORTO SOBEM PELA PRIMEIRA VEZ EM 10 ANOS

Graças à profusão de chuva e neve da última semana, as águas tão preocupantemente baixas do Mar Morto - uma das mais conhecidas maravilhas naturais de Israel e do mundo - houve um aumento de 10 centímetros, o que pode parecer pouco, mas representa uma bênção para aquele mar que, se nada de extraordinário acontecer, irá simplesmente evaporar-se nas próximas décadas.
O Mar Morto é alimentado pelo Rio Jordão e por uma série de nascentes que jorram desde as montanhas da Judeia, tendo todas elas trazido muita água na semana passada.
Desde os anos 70 que o Mar Morto desceu cerca de 20 metros do seu nível, devido às altas temperaturas locais que geram a evaporação, ao uso de água para a fábrica Dead Sea Works e ainda à  utilização da água do Mar da Galiléia, que transmite água ao Rio Jordão e ao Mar Morto.
Na passada Terça-Feira o Banco Mundial finalmente aprovou o projecto de um enorme canal orçamentado em 10 biliões de dólares e que poderá trazer água desde o Mar Vermelho até ao Mar Morto, resolvendo assim a situação de extrema falta de água na região. O projecto faz parte de um acordo tripartido entre Israel, a Jordânia e a Autoridade Palestiniana, mas tem encontrado feroz oposição dos grupos ecologistas, que afirmam que o projecto trará estragos consideráveis à região do deserto à volta do Mar Morto.
Shalom, Israel!

terça-feira, março 13, 2012

TURISTAS CONTINUAM A VIR EM FORÇA A ISRAEL

Israel continua a atrair turistas do mundo inteiro!
Apesar dos infundados receios que alguns insistem em propagar, e mesmo no meio da instabilidade nos países árabes do Médio Oriente e a situação com o Irão, os turistas continuam a acreditar e a comprovar que Israel é um país seguro para se visitar e conhecer.
O recorde de turistas entrados em Israel foi quebrado em Fevereiro, com um aumento de 6% no número dos visitantes em comparação com o mesmo mês do ano passado.


"O momento crescente para o turismo em Israel é o resultado de uma actividade de marketing internacional bem focalizada e intensiva, e isto apesar das turbulências na região (Síria e Egipto) e da contínua crise económica na Europa. O Ministério do Turismo vai continuar as suas operações de marketing pelo mundo fora, com ênfase nos mercados da China, Índia, Coréia do Sul, Rússia e América do Sul" - afirmou o Ministro do Turismo Stas Misezhnikov.
O número de visitantes em Fevereiro atingiu os 232.000, 4% mais elevado que o último recorde para o mesmo mês e que foi atingido em 2010.
Foi registado um grande aumento no número de visitantes de um dia - 55% mais do que em Fevereiro de 2011 - indicando que mais operadores turísticos estão incluindo Israel nas suas agendas para as viagens organizadas a vários países num só pacote.
Uma outra mudança significativa foi no número de visitantes que atravessaram as fronteiras terrestres, em especial do Egipto. O número de visitantes que entraram em Israel através de fronteiras terrestres foi quatro vezes superior ao registado em Fevereiro de 2011, quando se deu início à "primavera árabe" anti-Mubarak no Egipto.
O número de visitantes vindos por via aérea aumentou em um por cento em comparação com igual período do ano passado.

A florescente indústria do turismo em Israel está provocando uma corrida à construção de mais hotéis e levou a uma maior procura de trabalhadores da construção civil e de trabalhadores hoteleiros, restauração e locais turísticos.
O Kotel (Muro Ocidental, ou das "Lamentações"), o Yad Vashem (Museu do Holocausto) e a fortaleza de Massada junto ao Mar Morto continuam a classificar-se como as principais atracções para os visitantes.
Já pensou em vir também connosco neste próximo Agosto a Israel? Contacte-nos para todas as informações:
viagens.shalom@gmail.com
Shalom!

quinta-feira, novembro 18, 2010

CIENTISTAS PERFURAM 1.200 METROS ABAIXO DO MAR MORTO

Cientistas estão perfurando 1.200 metros abaixo do Mar Morto - a região mais baixa de toda a terra - de forma a examinarem a história geológica da área nos últimos meio milhão de anos (nota: este cálculo de anos baseia-se na especulação evolucionista).
Este projecto é promovido pelo Programa Internacional de Perfuração Continental (ICDP) e inclui a extracção do solo de uma "fatia de bolo" na parte norte do Mar, utilizando uma torre de perfuração especial. Este organismo tem realizado várias perfurações na crosta terrestre pelo mundo fora.
A equipa responsável é composta por cientistas da Universidade de Tel Aviv, do organismo da Pesquisa Geológica de Israel e da Academia Israelita de Ciências e Humanidades. Todos estes irão pesquisar a amostra a extraír através de equipamento de scanning de alta resolução.
Tanto o governo de Israel como o da Jordânia estão cooperando no projecto, bem como a Autoridade Palestiniana.
"Acreditamos que os resultados deste projecto terão vastas implicações nos campos da ciência e do ambiente, indo derramar luz em novos recursos naturais." - afirmou o professor Tzvi Ben-Avraham, da U. de Tel Aviv, e Motti Stein, da organização de Pesquisa Geológica de Israel.
Um cientista da Academia de Ciências e Humanidades de Israel explicou que os sedimentos a serem examinados irão mostrar as condições ambientais que existiam na região durante o seu passado geológico.
"Para além disso, o estudo histórico hidro-geológico-ambiental do Mar Morto ajudará a descortinar o mistério da evolução cultural humana nesta região" - acrescentaram Ben-Avraham e Stein.
Shalom, Israel!