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quarta-feira, janeiro 11, 2023

TANQUE DE SILOÉ VAI ABRIR AO PÚBLICO APÓS 2 MIL ANOS!


Uma das grandes novidades para este novo ano de 2023 em que Israel celebra os seus 75 anos será a abertura ao público do tanque de Siloé, em plena fase de escavações e que esteve "oculto" ao público durante os últimos dois mil anos!

As autoridades israelitas responsáveis pelo espaço anunciaram nos últimos dias de 2022 que o local tão bem conhecido virtualmente pelos leitores do Novo Testamento estará aberto para visitantes já durante este ano de 2023.

"Um dos sítios mais significativos comprovando o património bíblico de Jerusalém - não apenas uma questão de fé, mas de realidade - com grande significado para biliões de pessoas pelo mundo fora, estará totalmente acessível pela primeira vez em 2 mil anos" - anunciou Ze'ev Orenstein, directos dos assuntos internacionais da Fundação da Cidade de David, em Jerusalém. 

"Apesar dos contínuos esforços nas Nações Unidas e das autoridades palestinianas para apagarem o património de Jerusalém, dentro de poucos anos, os milhões de pessoas que anualmente visitam a Cidade de David poderão caminhar literalmente nos passos da Bíblia, ligando-se às raízes da sua herança e identidade" - informou Orenstein.



O tanque de Siloé é conhecido na Bíblia como o lugar onde Jesus pegou num pouco de lama sobre a qual havia cuspido, aplicando-a depois sobre os olhos de um homem cego de nascença (João 9), mandando-o depois ir lavar os olhos no Tanque de Siloé. O homem assim fez, e ficou imediata e totalmente curado da sua cegueira.

O tanque tem também uma história rica na tradição judaica como parte do caminho dos peregrinos. Antes de subirem ao Templo de Jerusalém, os fiéis lavavam-se cerimonialmente no tanque. A água corrente do tanque é conhecida pelo menos desde há 2.700 anos, remontando ao 8º século a.C., nos dias do rei Ezequias. O tanque faz parte do extraordinário sistema de águas que o rei Ezequias construiu para suprir Jerusalém de água corrente para o caso de a cidade ser cercada por invasores estrangeiros - 2 Reis 20.20.

O tanque de Siloé está situado no ponto mais setentrional da Cidade de David, no exterior da cidade velha, perto do local onde podemos percorrer o túnel de Ezequias, tal como temos feito nas nossas excursões a Israel. 

Moshe Lion, presidente da câmara de Jerusalém declarou o seguinte: "O tanque de Siloé no Parque Nacional da Cidade de David, em Jerusalém, é um local de importância histórica, nacional e internacional. Após anos e anos de expectativas, poderemos em breve destapar este importante sítio arqueológico, tornando-o acessível aos milhões de visitantes anuais que vêm a Jerusalém."

Uma pequena parte do tanque - o perímetro Norte e parte da secção oriental - foi descoberta e escavada em 2004 após o rebentamento de um cano de água nas imediações. 

Segundo informações das autoridades responsáveis, "o perímetro do tanque foi construído como uma série de degraus, permitindo aos que se banhavam poderem sentar-se e mergulhar nas águas do tanque."

Prevê-se que a escavação da totalidade do sítio ainda leve mais alguns anos, faltando ainda decidir se o tanque será aberto ao público por secções, ou se se terá de esperar até que todo o projecto fique completo. De uma forma ou outra, há planos para que o público possa ver as escavações em curso à medida que o local vai sendo escavado. 

Este é um dos achados arqueológicos mais significativos na História moderna e que fortalece a veracidade das narrativas bíblicas. 

Shalom, Israel!

terça-feira, julho 02, 2019

ABERTO O "CAMINHO DOS PEREGRINOS" POR ONDE JESUS CAMINHOU EM JERUSALÉM

Este fim de semana foi profícuo em sensações na Cidade santa de Jerusalém: o antigo caminho percorrido pelos peregrinos judeus, que os levava desde os banhos rituais no Tanque de Siloé até ao Templo foi finalmente escavado e em breve aberto ao público em geral.
Tive o privilégio de fazer essa cansativa subida em Agosto passado juntamente com um grupo que levei a Israel, e, apesar do esforço e da humidade, todos sentimos a emoção de caminhar e pisar nas mesmas pedras que tantos milhões de judeus pisaram ao longo de séculos, e, muito em especial para nós cristãos, a sensação de caminharmos com toda a certeza pelo mesmo caminho trilhado tantas vezes pelo Messias Jesus quando subia ao Templo.
A verdade é que esta nova estrutura arqueológica, cuja descoberta e escavações já têm suscitado a habitual ira dos palestinianos e até da Jordânia, é mais uma incontestável prova da ligação histórica e espiritual dos judeus à Cidade santa de Jerusalém.

UMA DESCOBERTA "ACIDENTAL"
Tal como tantas vezes acontece no mundo da arqueologia, esta descoberta aconteceu "casualmente", sem que ninguém esperasse encontrar tão grande preciosidade arqueológica e histórica debaixo do solo da povoação palestiniana de Siloé, a actual Cidade de David.
Tudo começou em 2004. O rebentamento de uma conduta de esgoto no bairro árabe de Siloé, na parte sul de Jerusalém, levou o município a enviar uma equipa técnica ao local para reparar o estrago, acompanhada por uma equipa de arqueólogos, como sempre acontece com qualquer escavação ou obra realizada em Jerusalém e nos arredores.
À medida que os trabalhos de reparação progrediam, os trabalhadores tropeçaram em cima de uns enormes e largos degraus algumas dezenas de metros acima do tanque de Siloé - o antigo tanque de água onde os peregrinos judeus mergulhavam antes de iniciarem a ascensão religiosa até ao Templo, até à sua destruição no ano 70 d.C. Os degraus então encontrados eram em tudo semelhantes aos que conduziam aos portões de Hulda, um conjunto de entradas actualmente bloqueadas ao longo do muro sul do Monte do Templo. 
A descoberta do tanque de Siloé conduziu a outro achado monumental: o canal central de drenagem de água que servia a antiga Jerusalém. Esse canal é o túnel que os visitantes da Cidade de David percorrem actualmente. iniciando em baixo, junto ao tanque de Siloé e subindo até junto do Muro Ocidental, numa caminhada de cerca de 45 minutos. 
Esta nova descoberta foi denominada de "caminho dos peregrinos", uma vez que os arqueólogos estão convencidos que este é o caminho que milhões de judeus trilhavam três vezes ao ano em cumprimento ao mandamento de subir à Cidade santa de Jerusalém para trazerem sacrifícios a Deus nas três principais Festas judaicas: Páscoa, Pentecostes e Tabernáculos. 

DESDE O TANQUE DE SILOÉ ATÉ AO TEMPLO
Este "caminho dos peregrinos" percorre todo o trajecto desde o tanque de Siloé  até à área adjacente ao Muro Ocidental conhecida como "arco de Robinson", onde ainda hoje se podem ver as ruínas da antiga escadaria de pedra que ascendia ao Templo.
O historiador judeu-romano Tito Flávio Josefo, que viveu no 1º século d.C., escreveu que cerca de 2,7 milhões de pessoas costumavam visitar Jerusalém durante as épocas festivas, trazendo com elas cerca de 256.000 ofertas para sacrifício.
Segundo Doron Spielman, vice-presidente da "Fundação Ir David", quase todos os peregrinos judeus teriam entrado na Cidade por este caminho. E era certamente por este mesmo caminho que Jesus caminhava durante o período do Segundo Templo, para além de muitos outros judeus famosos daquela época.

"O CORAÇÃO DO POVO JUDEU"
"Este lugar é o coração do povo judeu, e é como o sangue que corre nas nossas veias" - exclamou Spielman. Realmente, percorrer este caminho nos dias de hoje leva-nos a imaginar o que seria há 2 mil anos o movimento ruidoso e alegre de tantos judeus com a suas crianças no colo, subindo aqueles degraus e ansiando entrar no recinto do Templo...
Spielman acrescentou ainda que "não se pode amputar o coração."
Ao longo do caminho havia lojas de um lado e outro, provavelmente vendendo cabedais, lã, sementes, mel, vinho...tudo com o habitual regateio. Algumas dessas lojas já foram escavadas e trazidas à luz do dia.
Ao lado de umas escadas escavadas no caminho, os arqueólogos encontraram o que restou de uma palmeira queimada, uma árvore infrutífera que certamente serviria para trazer a ansiada sombra para os peregrinos.
"Para entender Jerusalém, você tem de estar aqui" - afirmou Spielman, acrescentando: "Fomos exilados no ano 70 d.C., orávamos três vezes ao dia e estabelecemos um estado. O derradeiro suspiro dos judeus foi mesmo aqui, por baixo de nós."
Spielman salientou ainda a existência de algumas cinzas negras encontradas ao longo do caminho e mencionou ainda as milhares de moedas que os arqueólogos escavaram e que têm gravadas as palavras "Sião Livre."
"Este era o grito de guerra durante a guerra contra os romanos" - explicou, acrescentando: "Em vez de pontas de lanças, eles faziam moedas, uma vez que sabiam que não podiam derrotar os romanos, mas as moedas ficariam para os que um dia voltassem."

UM LONGO E CANSATIVO TRABALHO DE ESCAVAÇÃO
A equipa de arqueólogos tem estado a trabalhar 24 horas por dia nestes últimos meses para ligar a parte escavada do caminho ao tanque de Siloé. É um trabalho fastidioso e demorado, com cada palmo sendo reforçado com pilares de aço de forma a proteger a cidade.
Vários milhões de dólares já foram investidos neste projecto, e apesar de o estado financiar uma parte do mesmo, a maior parte vem de dádivas individuais e de fundações.
Espera-se que quando o caminho abrir oficialmente ao público daqui a alguns meses, cerca de um milhão de turistas o percorram anualmente.

"MUITO IMPORTANTE PARA OS EUA"
Indiferente às críticas habituais dos palestinianos, o embaixador norte-americano em Jerusalém, David Friedman, participou numa cerimónia de "abertura" do caminho no passado Domingo, revelando publicamente a importância que este tesouro histórico e arqueológico tem para os norte-americanos: "A Cidade de David é uma descoberta única no século de enorme significado histórico para muitos americanos, bem como para os israelitas. Foi por isso que eu vim. Não há qualquer mensagem política nisto."
E o embaixador foi ainda mais longe, contribuindo para a desmistificação das habituais mentiras palestinianas, tão convincentes para a ONU e para a União Europeia: "A Cidade de David traz verdade e ciência ao debate que tem há demasiado tempo sido manchado por mitos e decepções. Os seus achados, na maioria das vezes por arqueólogos seculares, trazem um fim aos infundados esforços para negar o facto histórico da antiga ligação de Jerusalém ao povo judeu."

Shalom, Israel!

sexta-feira, setembro 07, 2018

CRÓNICAS DE UMA MEMORÁVEL EXCURSÃO A ISRAEL - 6ª Parte

JERUSALÉM, 29 de Agosto de 2018

JERUSALÉM - ESPLANADA DO TEMPLO

Confesso que até a mim - visitante habituado às andanças pela Cidade santa desde há quase 30 anos - me impressionaram a tranquilidade da Cidade velha, a aparente presença mínima dos elementos de segurança e a facilidade com que nos deixaram subir e entrar no lugar mais conflituoso e polémico do mundo inteiro: o Monte do Templo, também conhecido por alguns como a esplanada das mesquitas...
Trata-se na verdade do Monte Moriá, o mesmo lugar onde Abraão ia sacrificando o seu filho Isaque, e onde séculos depois o rei Salomão mandou erigir o grande Templo de Jerusalém. 

Anos houve em que as tensões no local nos impediram de ali subir, mas este ano, tanto em Maio como em Agosto, a tranquilidade com que nos movimentámos no enorme recinto conspurcado a Sul pela mesquita de al Aqsa e no centro pelo Domo da Rocha, quase nos faria acreditar que se tratava do lugar mais pacífico do mundo.
Alguns dos nossos participantes foram brindados com saias emprestadas pelos zelosos guardas muçulmanos, uma vez que não se pode andar naquele espaço sagrado sem roupa apropriada que cubra quase a totalidade do corpo. 
Depois de algumas explicações pelo nosso excelente guia - Iuval Goldenberg - tivemos a possibilidade de percorrer parte daquele enorme espaço, tirar fotos e abordar a possibilidade de a pedra do sacrifício de Isaque não se situar exactamente por debaixo do Domo da Cúpula Dourada, como a tradição leva a crer, mas antes num outro local, mais a Norte, que se situa em linha recta com o portão dourado, ou a porta oriental, a única das 8 fechadas até hoje à espera da entrada do Messias.
Pessoalmente, quando me encontro naquele espaço, gosto de caminhar sozinho e deixar a minha mente divagar pelos acontecimentos que acredito ali terão lugar muito em breve e que mudarão para sempre a História do mundo...
A uma ou outra pessoa do grupo mais sintonizada com a escatologia dispensacionalista ou curiosa acerca da mesma vou aos poucos partilhando as minhas pesquisas e crenças, organizando sistematicamente a ordem dos acontecimentos que em breve ali irão ter lugar. Uma coisa é certa: Jerusalém está cada vez mais no epicentro dos acontecimentos e das atenções mundiais, e aquele lugar onde outrora assentaram os dois grandes Templos judaicos ainda vai dar muito que falar...

CIDADE DE DAVID
Nem todas as excursões organizadas a Israel incluem um dos trechos mais reais e de suprema importância bíblica como é o caso da Cidade de David.
Aqui se encontram as ruínas recentemente escavadas da cidade original de Jerusalém dos dias do rei David e Salomão, cujos palácios - ou o que resta deles - têm sido pacientemente restaurados pelos arqueólogos. Pudemos descer aos lugares originais agora reconstituídos e penetrar literalmente em 3 mil anos de História, até ao tempo dos próprios cananeus!
Percorre-se um túnel extenso escavado simultâneamente das duas pontas e pode-se também observar o túnel escavado pelo rei Ezequias durante o cerco a Jerusalém e por onde percorre ainda hoje um manancial de águas oriundas da fonte de Gihon. Foi este mesmo rei que mandou construir os tanques de Siloé, ainda sob trabalhos de escavação, mas que já podemos admirar pela sua extensão. 

Foi ali que o cego desceu para lavar os seus olhos após o milagre da cura de Jesus.
Normalmente os nossos grupos chegam até ao tanque de Siloé e sobem depois todo o caminho em pequenos autocarros que nos levam até à estrada principal que rodeia as muralhas da Cidade Santa.
Desta vez, porém, a ambição aventureira tomou conta de mim, e encetámos uma nova rota, até então desconhecida e recentemente aberta ao público: nada mais, nada menos que subir pela famosa rota dos peregrinos, ou seja, um túnel de 600 metros que nos conduziu dos tanques de Siloé até ao parque sobranceiro ao antigo Templo! Era por este mesmo caminho que os antigos peregrinos judeus subiam, carregando água desde Siloé até ao Templo. 
 
Ainda que sendo acusado pela minha própria consciência de ter levado os nossos "peregrinos" à exaustão, a verdade é que não foram poucos os que apreciaram a caminhada, ainda que sob intenso calor e humidade. Mas quando a expectativa domina a força de vontade, nada se torna impossível para quem ama Jerusalém e os seus muros! 
Valeu a pena!
 
Mas, ainda com algumas forças de reserva, e ainda que de forma rápida, pudemos ainda percorrer um pouco das ruínas deixadas pela queda das muralhas do Templo de Herodes e subir até aos degraus originais usados pelos peregrinos e certamente por Jesus e Seus discípulos quando ascendiam ao Templo de Jerusalém!

MUSEU DOS AMIGOS DE SIÃO
O moderno estado de Israel é o fruto de sonhos e do esforço de muitos que acreditaram que era chegada a hora de os judeus regressarem a Sião para se estabelecerem na Terra dos seus ancestrais de onde tinham sido expulsos 19 séculos antes, e que agora "chamava" por eles. 
A História do sionismo moderno é algo de inimaginável, não fosse o contributo decisivo de um número assinalável de cristãos que, levando a sério as palavras proféticas das Escrituras, dedicaram as suas vidas, bens e esforços para a concretização do velho sonho sionista.
É exactamente para honrar a memória desses "heróis", alguns deles quase ignorados ou esquecidos, que o meu amigo Mike Evans decidiu reunir esforços para abrir no coração de Jerusalém um museu destinado a mostrar ao mundo o quão importante e imprescindível foi a acção e a intervenção dessas figuras públicas para que Israel fosse aquilo que hoje se pode ver.

O museu tem 4 andares com exposições virtuais e dinâmicas, fazendo uso das tecnologias mais avançadas, deixando todo o visitante não só informado sobre a vida daqueles homens e mulheres que tornaram o sonho possível, mas ainda e também profundamente emocionado com a mensagem envolvente que no final lhe é apresentada.
Visitar este museu torna-se "obrigatório" para todos aqueles cristãos que de facto amam e defendem o estado e o povo de Israel.
Atrever-me-ia até a dizer que ninguém sai de lá igual...

Estávamos já na véspera do regresso às nossas terras. No coração de alguns já batia forte a saudade, não tanto de voltar a Portugal, mas de querer estar novamente e muito em breve naquela Terra que já é também nossa nos afectos e nas predilecções.
Para satisfazer algumas bolsas desejosas de espalhar algum do dinheiro pelas inúmeras lojas do bazar árabe da Cidade antiga, concedemos algum tempo no final da tarde para satisfazer tão nobre necessidade, já que ir a Israel e nada trazer para os amigos e familiares pode parecer um ignóbil e imperdoável descuido, e não falta o que comprar...

Continua...